Quinta, 27 Junho 2019 16:00

Masp vira sala de aula com Tarsila do Amaral

Leandro Silva
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Número de instituições que visitam o museu cresceu mais de 50% com exposição de uma das maiores artistas brasileiras; mostra vai até 28 de julho

 

Vozes de crianças e professores ecoando deixavam uma dúvida no ar: museu ou sala de aula? Essa era a pergunta que, ludicamente, algumas pessoas se faziam ao passarem em frente ou circularem pelos andares do Museu de Arte de São Paulo (Masp) desde 5 de abril, data em que a instituição inaugurou a exposição Tarsila Popular. Filas de pessoinhas uniformizadas e atentas a instruções de educadores indicavam a resposta. Obras de uma das maiores artistas brasileiras do século 20, figura central do modernismo, estimularam a visitação de escolas ao museu mais famoso de São Paulo. Quem não vê Abaporu nas aulas de arte, afinal?

De acordo com o Masp, a média diária de instituições visitantes varia de 7 a 9 em períodos comuns — para conferir o acervo permanente, por exemplo. Com a chegada da exposição Tarsila Popular, a média foi de 13 a 15 nos últimos dois meses, o que representa aumento de 85% ou 66%, na comparação 7-13 e 9-15. Os grupos não necessariamente foram formados por escolas, uma vez que ONGs e empresas também compareceram, além de estudantes universitários. Mas a presença de representantes da educação básica marcou.

Roseli Nicioli, professora do colégio privado Domus Sapientiae, acompanhou duas turmas do 4º e 5º anos em uma quarta-feira no início deste mês. A proposta era apresentar obras reais da artista que foi objeto de estudo em maio para uma atividade de Dia das Mães. “As crianças fizeram releitura da Tarsila por meio de um quadrinho, feito por elas mesmas, para presentear as mães”, disse, reforçando que o trabalho contou com professores de arte e também de outras áreas, para pesquisa.

Com idade entre nove e dez anos, os estudantes tiveram, em aula, contato com fases características de Tarsila, como a antropofágica. “Eles gostam porque conseguem associar os quadros ao que eles estão estudando. Tarsila pintou o Brasil, e os estudantes estão aprendendo sobre o país. Tem tudo a ver com a época dos índios, do pau-brasil, e depois do café, das fazendas, do começo da República. Sem contar as cores, que são o que os jovens primeiro identificam, porque falam que é alegre, além de bonito, claro”, concluiu Roseli, à frente do quadro Cartão-Postal (1923).

Uma professora de outra escola que preferiu não se identificar seguiu a mesma linha sobre a percepção de estudantes. Para ela, as crianças se interessam porque os quadros são coloridos e de traços fáceis, o que ajuda na reprodução em aulas de arte. Já com estudantes do ensino médio, para os quais leciona, a abordagem pode ser mais densa e tratar de contexto político-social. “Em Operários (1933)*, Tarsila apresenta visão crítica da sociedade paulistana em tempos de revolução industrial", afirmou, sem se esquecer da questão da imigração, retratada em rostos racialmente diversificados. "Podemos trabalhar história e geografia.”

Programa obrigatório para as férias, oportunidade de aumentar o repertório pedagógico, a exposição reúne 92 obras, sendo a mais ampla dedicada à Tarsila do Amaral, e vai até 28 de julho. O enfoque é o popular, que a artista explorou de diferentes modos, nas paisagens do interior ou do subúrbio, da fazenda ou da favela, povoadas por indígenas ou negros, personagens de lendas e mitos, repletas de animais e plantas, reais ou fantásticos.

Os ingressos custam R$ 40. Visitantes de escolas e instituições públicas têm entrada franca, mediante agendamento. Professores, educadores e responsáveis por grupos agendados, públicos ou privados, também não pagam. Visitantes de escolas e instituições privadas pagam meia-entrada (R$ 20). Estudantes de educação infantil e ensino fundamental I, ou menores de 11 anos, mesmo de escolas e instituições privadas, são isentos.

Agendamentos de grupos podem ser realizados de quarta a domingo, dentro dos horários regulares de funcionamento do museu (clique aqui para agendamento online).

* O quadro Operários foi retirado da exposição em 29 de junho e retornou ao Palácio da Boa Vista, em Campos do Jordão.

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