Segunda, 05 Dezembro 2022 09:13

Psicopedagoga dá ideias de como levar o esporte para a sala

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Psicopedagoga dá ideias de como levar o esporte para a sala Foto: Jornal do Oeste

O futebol é uma paixão nacional no Brasil. Por isso, para  a psicopedagoga e autora de livros infantis Liliane Mesquita, nas escolas, o evento da Copa do Mundo não deve ser restrito à disciplina de educação física. Um dos principais compromissos de sua carreira é disseminar a diversidade, a igualdade e o respeito na infância, o que não pode ser diferente no futebol, esporte pelo qual é apaixonada desde criança.

Ela aprendeu a jogar durante a adolescência e percebeu a quantidade de críticas e disparidades que existiam em relação a jogadoras femininas. Natural do Rio de Janeiro e formada em pedagogia e psicopedagogia institucional, atualmente trabalha na Prefeitura Municipal de Duque de Caixas, onde atua como orientadora educacional e dinamizadora de leitura, estimulando as crianças a conhecerem o mundo literário.

O engajamento com as causas que envolvem o futebol começou quando era pequena. Na época, também costumava frequentar os jogos do Flamengo com a família e se tornou torcedora. Em meio a discussões envolvendo a Copa do Mundo no Catar, a professora trabalha por um desporte mais inclusivo e dialoga com a atual situação do campeonato mundial.

Exemplo disso é o lançamento da obra infantil Poesia no Futebol, em que leva o debate do respeito às crianças e incentiva a paixão nacional nos leitores.

O Portal CPP conversou com a autora, que falou sobre a relação do futebol em sua vida e a importância de discutir igualdade no esporte desde a infância.


Portal CPP: Como a Copa pode ser trabalhada com estudantes?

Liliane Mesquita: O futebol é um dos esportes mais populares em nosso país. Nas escolas, o evento da Copa do Mundo não deve ser restrito à disciplina de Educação Física. É um tema relevante, que desperta interesse dos alunos e precisa ser explorado de forma interdisciplinar. Assim como abordo no meu livro “Poesia no futebol”, é necessário trabalharmos em sala também o que podemos aprender para além das quatro linhas do campo, ou seja, quais ensinamentos podemos absorver para nossa vida, por meio do futebol, tais como: respeito, trabalho em equipe, solidariedade, inclusão, a importância do grupo, saber ganhar e perder, superação, entre outros.

A Copa acontece em um país marcado por diversas violações de direitos humanos, principalmente contra mulheres. Que lições podemos trabalhar em sala de aula para reduzir o preconceito?

É sabido que as mulheres sofreram e sofrem com a exclusão. Ao fazermos uma análise histórica, é possível perceber que tal fato também ocorre no esporte, pois algumas modalidades são vistas como “sinônimo de virilidade” e não cabia à mulher estar neste espaço. Em nosso país, já houve até lei impedindo que as mulheres praticassem esportes que fossem “contra a sua natureza”, e o futebol era um deles. Em sala de aula, é de suma importância iniciar o trabalho falando sobre direitos humanos e mostrar historicamente toda situação de desigualdade e exclusão vivida pelas mulheres e grupos marginalizados pela sociedade. A partir disso, proporcionar debates, estimular a reflexão sobre o assunto e, coletivamente, pensar em como romper, mesmo que a princípio em situações cotidianas, com este paradigma excludente.


Qual a melhor forma de diminuir a resistência com mulheres no futebol?

Em nosso país, caminhamos um pouquinho nesta direção, mas há um longo caminho a percorrer. Primeiro, necessita de mais investimentos e estimular cada vez mais as mulheres a ocuparem seus espaços no esporte. Para mim, a Marta é ícone que despertou esse sentimento em tantas meninas. É necessário romper paradigmas, mostrando às crianças que nosso lugar é onde desejamos estar e nunca deve ser limitado pela nossa raça, classe social, gênero, entre outros. Esporte é vida, saúde, trabalhar o corpo e a mente. Que mal há em uma mulher jogar [futebol]?

Por muito tempo era comum ouvir que futebol não é para meninas, é coisa só de homem, um pensamento que discordo totalmente. Eu jogava futebol em uma época em que esse esporte era visto como “coisa de menino”. Eu não entendia porque eu tinha que jogar queimada e não podia jogar futebol. Até que, depois de muitas reclamações, consegui jogar com os meninos. Na verdade, não era bem o que queria, mas era um jeito da minha voz ser reconhecida naquele espaço. Até que outras meninas passaram também a jogar conosco.
No livro trago um verso que resume muito isso. Nele, digo:

“Marcação homem a homem

Que mudem esse nome

Porque futebol também é para mulher

É para quem quiser.”

Como foi a construção do livro? O que se destaca nele?

Eu sou apaixonada por esportes e, principalmente, pelo futebol. O livro surgiu a partir de uma fala do meu filho Pedro, de 9 anos. Ele disse para eu escrever uma história com “as palavras engraçadas do futebol”, no caso os jargões futebolísticos. Como também sou poetisa, escolhi este gênero textual para tocar o coração das crianças. Destaca-se na obra o bate-bola amistoso entre os jargões e as lições que podemos aprender para além das quatro linhas do campo. Não fala tão somente sobre o esporte, mas estimulando a reflexão dos ensinamentos que o futebol nos traz.

O que espera da área esportiva para o futuro?

É uma resposta longa, mas em linhas gerais digo que necessita implementar políticas públicas de estímulo ao esporte, desde a base para a descoberta de novos talentos, por meio de projetos, estímulos às práticas desportivas nas escolas, lembrando que algumas nem quadra ou profissional habilitado na área têm, nos espaços esportivos dos bairros, não só investindo na estrutura física, mas também nos recursos humanos. Para além do lazer, o esporte traz imensos benefícios sociais e é também um meio de inclusão. Quantos talentos estão adormecidos em nosso país por falta de estímulo e incentivo à descoberta de outras modalidades?

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1 Comentário

  • Link do comentário Germano Gonçalves Sábado, 10 Dezembro 2022 22:46 postado por Germano Gonçalves

    Futebol é fora das quatro linhas, é de bares e botequins.
    Futebol é de vencidos e vencedores.
    Futebol é o que anima,
    e porque não das meninas.
    Futebol e arte se combinam.
    Futebol é de pé em pé.
    É para homens e mulher.
    Futebol é emoção esta dentro do coração.
    São de bronze, prata e ouro.
    É de sangue e suor, é de perfume é de tudo um pouco.
    É de apito e elogios são de glorias e vaias.
    Futebol agora também é de saias.

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