Segunda, 20 Fevereiro 2017 11:28

Brasileiras falam de violência nas escolas

Mônica de Araújo
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A violência nas escolas é um flagelo que merece ser constantemente exposto para que medidas inibidoras sejam criadas a fim de que o estudante brasileiro aprenda a valorizar e respeitar quem os ensina para tornar-se, enfim, um cidadão consciente, voltado para o bem da sociedade em que vive. O Portal CPP convidou uma senadora, uma juíza e uma delegada para opinarem acerca deste mal que cobre de vergonha a sociedade brasileira e cala de medo toda a nação.

 

 

 

“No Senado sou autora de projeto de lei para combater a violência contra os professores e acabar com a impunidade para os agressores. O PLS 356/2014 prevê aumento de um terço da pena para quem agredir professores no exercício da profissão. O Brasil é um dos países com maior índice de agressão a professores e precisamos mudar essa triste realidade. Professores precisam ser respeitados e estimados , nunca agredidos!”

Senadora da República Ana Amélia Lemos, do Partido Progressista.

 

 

 

 

 

 "Nos dias atuais, infelizmente, a violência está em todos os lugares, não tendo poupado o lugar sagrado que tem uma das atribuições mais nobres, a escola. Em pouco tempo, atingiu números alarmantes, resultado de inúmeros fatores que, conjugados, resultam no atual quadro, que se deteriora a olhos vistos. Creio que uma das grandes questões que permeiam o tema seja o respeito, cada vez mais esquecido na escola, assim como na sociedade como um todo. Acredito que a adoção de políticas para a valorização dos professores, bem como a conscientização dos alunos, abordando aspectos dos mais variados, como por exemplo questões referentes à cidadania, possa ser um pontapé inicial, exigindo esforços do setor público para tanto, na busca de um futuro mais frutífero, enriquecedor e pacífico, e para o resgate do verdadeiro papel da escola e, acima de tudo, do educador.

Andréa Nunes Tibilletti, Juíza do Trabalho Substituta no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região São Paulo - SP

 

 

“Quando comparamos a realidade das escolas em que estudamos, em passado não muito distante e a realidade das escolas em que as crianças e adolescentes estudam atualmente, nos deparamos com um cenário assustador. Sob a ótica da violência que se instalou nas escolas e seus arredores, esse panorama é de fato causador de grandes preocupações para os agentes que atuam na área de Segurança Pública e de grande frustração para educadores e pais de alunos.

É possível analisar a problemática sob duas vertentes. A primeira delas, é a violência perpetrada por pessoas estranhas aos quadros escolares, que permanecem em seus arredores, mormente traficantes de drogas, que visam arrebanhar alunos em tenra idade, iniciando-os no mundo das drogas. Após a obtenção do sucesso por parte do traficante, o vício desses alunos se reflete diretamente em seu rendimento escolar, no trato com colegas e professores, expondo-os a riscos e constrangimentos constantes.

A violência que era extramuros, ingressa  na escola de forma avassaladora, fazendo com que alunos envolvidos com drogas ou outros tipos de delitos, pratiquem atos criminosos contra o patrimônio da escola, dos colegas e dos funcionários. Por outro lado, temos a segunda vertente, que é composta por alunos que sofreram todo o tipo de negligência familiar, tiveram uma educação desprovida de princípios, ética e respeito ao próximo. São vítimas do berço onde nasceram, mas ao terem acesso à escola e à boa educação, não aproveitam a oportunidade para mudarem suas condutas. A esses alunos, penso que se possa atribuir a maior problemática da questão educacional. São eles os responsáveis pelos enfrentamentos, por ofensas verbais e até física às quais estão expostos os educadores, diretores, inspetores e demais funcionários da rede de ensino.

Frequentemente prestamos atendimentos, via de regra a professores, os quais relatam sintomas de depressão, esgotamento, problemas de relacionamento familiar, todos atribuídos à violência, principalmente emocional a qual são submetidos em seu local de trabalho. Percebo que sentem-se  desamparados nessa luta, porque a escola esgota os meios para coibir a prática e muitas vezes não obtém êxito.

A Ida de um profissional da educação a uma Delegacia de Polícia é vista por nós como “não há nada mais ao nosso alcance que possa ser feito, precisamos de ajuda”. De qualquer maneira, a solução dada é um paliativo, posto que repressiva, não educativa. Sob o meu ponto de vista, a desestrutura familiar e a falta de comprometimento dos pais na educação dos filhos são os pontos primordiais a serem atacados. Cada um deve ser chamado à sua responsabilidade e ter compromisso com a formação moral daquele que introduz no seio da sociedade.

Aliado ao já exposto, é necessário que a sociedade se una, exija ações governamentais de forma a se mostrar um horizonte favorável às nossas crianças e jovens. Aos educadores, nos resta dizer, que a Polícia Civil de São Paulo é vossa parceira nessa luta. Contem sempre conosco!”

Milena Davoli Nabas de Melo, Delegada de Polícia  Titular da Delegacia de Investigações  Gerais de Tupã (SP)

2 comentários

  • Link do comentário Cláudio Alberto da Silva Quarta, 22 Fevereiro 2017 16:10 postado por Cláudio Alberto da Silva

    O PLS 356/2014 da senadora Ana Amélia nada resolve e não ajuda em nada no tocante da questão, pois os alunos das escolas públicas são menores de 18 anos, e por isso não se aplica o código penal. Mesmo que o agressor seja maior de 18 anos, do que adianta aumentar a pena em 1/3, sendo que na prática dificilmente há punição. Sugiro que a senadora lute por mais investimentos na educação, que o dinheiro do pré-sal seja realmente empregado na formação escolar cidadã. Infelizmente mais um parlamentar pensando na punição e não na educação.

  • Link do comentário Cláudia Diel pinto schincarioli Quarta, 22 Fevereiro 2017 07:56 postado por Cláudia Diel pinto schincarioli

    Muito boa a matéria. A violência nas escolas deve ser divulgada cada vez mais.

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