Terça, 13 Março 2018 17:53

Vacina é a proteção efetiva contra febre amarela

Mônica de Araújo
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Vacina é a proteção efetiva contra febre amarela Foto: Luis Blanco/ A2img

Iniciada em 25 de janeiro, na capital paulista, e em mais 53 municípios do Estado, a campanha estadual contra a febre amarela aplicou 5,2 milhões de doses, o que representa 56,6% do público-alvo formado por 9,2 milhões de pessoas.

Desde 2016, o governo estadual intensificou as ações de enfrentamento da febre amarela em São Paulo, por meio de monitoramento dos corredores ecológicos, vigilância epidemiológica e vacinação.

A Dra. Helena Sato, diretora de Imunização da Secretaria de Estado da  Saúde, referência no assunto, explicou ao Portal CPP a importância da informação e da vacinação contra a febre amarela e fez o alerta: “A vacinação é a principal forma de proteger a população contra a febre amarela. Por isso, é imprescindível que todas as pessoas que moram nos locais definidos na campanha, e ainda não se imunizaram, tomem a vacina”.

 

Portal CPP: No começo da campanha da vacinação, a procura era muito grande. Quais as causas para a diminuição da procura?

Helena Sato: Observamos que houve uma queda porque as pessoas que moram nesses municípios provavelmente não estão tomando a vacina por acreditarem que o vírus não chegará nesta região. A questão é importante. O vírus poderá, sim, chegar nesses 54 municípios, por isso foram selecionados para a vacinação. Quero contar com o apoio dos professores, esse grupo que tem um papel importante em todo o estado. Aqueles que não se vacinaram, ou que têm parentes que vivem nestes locais e ainda não se vacinaram, que procurem um posto de vacinação.
 

Qual a porcentagem de reação?

Outras pessoas deixaram de se vacinar por medo da reação. É importante deixarmos claro que a vacina da febre amarela é de vírus vivo atenuado. Algumas pessoas, não mais que 15 a 20% das pessoas vacinadas a partir do terceiro ou quarto dia, poderão apresentar febre em adultos, dor de cabeça e dor no corpo, mas com uma excelente evolução. Temos sim a ocorrência da chamada doença viscerotrópica aguda, situação extremamente rara, com proporção de 1 em cada 1 milhão de pessoas vacinadas, ou seja, o risco da pessoa ser infectada pelo vírus da febre amarela e evoluir com complicações – e que moram em áreas de risco – é muito maior do que a doença viscerotrópica aguda. Na nossa avaliação, esses são os principais aspectos da diminuição da procura. 

 

Como está o atual quadro da doença no estado de São Paulo?

De 2017 até o momento houve 345 casos autóctones de febre amarela silvestre confirmados no Estado. 125 deles evoluíram para óbitos. Os 53 municípios e distritos da cidade de São Paulo foram definidos por critérios epidemiológicos após análises técnicas e de campo feitas pelo CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) e Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) em locais de concentração de mata.
Até o momento, 7,2 milhões de pessoas em todo o Estado foram vacinadas contra a febre amarela. O número é praticamente equivalente às 7,4 milhões de doses aplicadas ao longo de todo o ano de 2017. A capital paulista atingiu 71,4% do público alvo, imunizando cerca de 2,4 milhões dos 3,3 milhões de paulistanos moradores dos distritos definidos na campanha.
A região com melhor cobertura vacinal é o Vale do Paraíba e Litoral Norte, onde foram vacinadas 1 milhão de pessoas, que representam 52% do público-alvo. Já no Grande ABC, foram imunizados 1,1 milhão de pessoas, valor correspondente a 47,6% da meta estabelecida. A Baixada Santista apresenta a menor cobertura vacinal, com 666,3 mil imunizados, 43,6% do público-alvo.
Continuaremos trabalhando com apoio dos municípios para realizar esse monitoramento com a finalidade de garantir que as pessoas que ainda não se vacinaram possam ser imunizadas e, assim, estejam protegidas contra a febre amarela.
É muito importante o apoio dos professores pois estão sempre com os alunos, e são eles que levam a informação para casa.

 

Há restrições à vacina?

Devem consultar o médico sobre a necessidade da vacina os portadores de HIV positivo, pacientes com tratamento quimioterápico concluído, transplantados, hemofílicos ou pessoas com doenças do sangue e de doença falciforme. Não há indicação de imunização para grávidas que morem em locais sem recomendação para vacina, mulheres amamentando crianças com até 6 meses e imunodeprimidos, como pacientes em tratamento quimioterápico, radioterápico ou com corticoides em doses elevadas (como por exemplo Lúpus e Artrite Reumatoide). Em caso de dúvida, é fundamental consultar o médico.
 

Após o período da campanha, qual o procedimento da população paulista?

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo quer ampliar a cobertura vacinal contra febre amarela atingida com a campanha de vacinação, realizada entre 25 de janeiro e 16 de março. Em conjunto com os municípios, será realizado um monitoramento para identificar os não vacinados, e cada Prefeitura desenvolverá a iniciativa que considerar mais apropriada para alcançá-los.
 

Qual a proteção da dose fracionada da vacina?

O SUS passou a disponibilizar neste ano a dose fracionada da vacina, conforme diretriz do Ministério da Saúde. O frasco convencionalmente utilizado na rede pública pode ser subdividido em até cinco partes, sendo aplicado assim 0,1 mL da vacina. Estudos evidenciam que a vacina fracionada tem eficácia comprovada de pelo menos oito anos. Estudos em andamento continuarão a avaliar a proteção posterior a esse período. As carteiras de vacinação receberam um selo especial para informar que a dose aplicada foi a fracionada.
 

E a capital paulista?

A capital paulista disponibilizará a vacina nas 466 salas de vacinação espalhadas por toda capital, até o final de maio. A vacinação continuará ocorrendo com a dose fracionada e padrão, conforme a indicação para cada pessoa. 
 

E o sarampo, está controlado em SP?

Está ligado o sinal de alerta. Temos casos de sarampo em Roraima com todas as medidas de controle. Os casos aparecem por meio da entrada dos venezuelanos. O alerta para o País já foi dado pelo Ministério da Saúde. O último caso de sarampo ocorreu em 2000. Então, não podemos baixar a guarda às pessoas que têm indicação.

  

Município de Infecção

Caso

Óbito

 

n

n

AGUAI

1

1

ÁGUAS DA PRATA

2

-

AMÉRICO BRAZILIENSE

2

1

AMPARO

5

2

AMPARO/MONTE ALEGRE DO SUL

1

1

ARUJA

3

3

ATIBAIA ¹

52

15

BATATAIS

1

1

BOM JESUS DOS PERDÕES

3

2

BRAGANÇA PAULISTA

3

2

CAIEIRAS

4

2

CAMPINAS

1

-

CAMPO LIMPO PAULISTA

3

-

COTIA

6

3

EMBU

1

1

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL

3

2

FRANCISCO MORATO

2

2

FRANCO DA ROCHA

4

2

FRANCO DA ROCHA/MAIRIPORÃ

1

-

GUARULHOS

8

3

IBIUNA

5

5

IGARATÁ

3

1

ITANHAEM

1

1

ITAPECERICA DA SERRA

4

2

ITARIRI 2

2

-

ITATIBA

4

1

ITATIBA/PIEDADE

1

1

ITUPEVA

1

-

ITU

1

1

JARINU

8

2

JUNDIAI

1

-

MAIRIPORÃ ³

143

39

MIRACATU

1

1

MOCOCA/ CÁSSIA DOS COQUEIROS

1

-

MONTE ALEGRE DO SUL

5

3

NAZARÉ PAULISTA

20

9

PIEDADE

2

2

PIRACAIA

1

-

SANTA CRUZ DO RIO PARDO

1

-

SANTA ISABEL

5

1

SANTA LUCIA

1

1

SÃO BERNARDO DO CAMPO

1

-

SÃO JOÃO DA BOA VISTA

2

1

SÃO LOURENÇO DA SERRA

1

-

SÃO PAULO

8

4

SÃO ROQUE

3

-

TUIUTI

1

-

VALINHOS

4

2

VARZEA PAULISTA

2

1

INDETERMINADO 4

1

1

EM INVESTIGAÇÃO 5

5

3

Total geral

345

125

 

¹ 1 caso com residência no Rio de Janeiro (RJ) e infecção em Atibaia (SP)                                                            

² 1 caso com residência em Curitiba (PR) e infecção em Itariri (SP)                                                                       

³ 2 óbitos, sendo um com residência em Poço Fundo (MG) e outro em Santa Catarina, ambos com infecção em Mairiporã (SP)                       

4  paciente morador do estado de São Paulo com suspeita e confirmação da doença. Não saiu do Estado e não há como confirmar deslocamentos dentro do Estado

5 casos com confirmação clínico-epidemiológica com Município de LPI ainda em investigação mas sem deslocamentos para fora do Estado

 

* Informações atualizadas em 16 de março de 2018

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