Sexta, 31 Julho 2020 14:41

Pode o professor viver e trabalhar com qualidade pós-Burnout?

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Um dia, sem aviso, a mente entra em pane. A exaustão chega com cansaço excessivo, dor de cabeça, insônia, negatividade em relação ao trabalho, esgotamento mental, dores musculares, alteração nos batimentos cardíacos ou dificuldade de concentração. Um déficit psicológico é desencadeado por uma enorme tensão emocional crônica.


Diante de uma pandemia sem precedentes, a ansiedade e a depressão geram um cenário preocupante agravado pela temida Síndrome de Burnout, que, pela gravidade, será inserida na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) a partir de 2022. Esse fenômeno de exaustão relacionada ao trabalho, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, atinge ao menos 32% dos brasileiros.


Como esse tipo de cansaço se tornou muito comum na quarentena entre os educadores, especialmente os professores, o Portal CPP ouviu três especialistas para apresentarem sugestões de prevenção e reconhecimento de sintomas.


Claudia Luz
 


Nutricionista do Departamento de Inovação da Via Farma, mestre em Ciências pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduada em Nutrição Clínica Aplicada a Patologias com Base na Prática Ortomolecular, pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Estudos na Área de Saúde (FAPES).


Alguns profissionais podem estar mais sobrecarregados nesse momento. No caso dos professores, a saúde mental deve ser um ponto de atenção nesse cenário, já que pode ser desafiadora a tarefa de dar conta do conteúdo programático e garantir o aprendizado por meio de ferramentas digitais.

O uso excessivo de plataformas online foi recentemente apontado como um gatilho para o surgimento do Zoom Fatigue. Isso porque nosso cérebro gasta mais energia devido aos estímulos gerados pelo uso do computador ou do celular.

Um agravante é a instabilidade da internet que dificulta aulas remotas, exigindo mais esforço para que a comunicação seja efetiva e piorando a sensação de esgotamento mental.

A alimentação é essencial para dar mais disposição. Aposte em frutas e verduras, mantendo uma alimentação variada, rica em nutrientes essenciais para a geração de energia. Na hora que o estresse e o cansaço baterem, evite recorrer à cafeína e aos doces – eles podem trazer energia ou alívio momentâneos, mas agravam o quadro geral.

Em contrapartida, uma boa forma de aliviar as tensões é fazendo atividade física. Também existe o extrato de carvalho francês (Robuvit), uma abordagem terapêutica muito estudada, capaz de elevar os níveis de energia e reduzir o cansaço.”



Rosely Cordon


Pós-graduada em Bases da Medicina Integrativa pelo Instituto Israelita de Ensino, Cirurgiã Dentista é pós-graduada em Bases da Medicina Integrativa pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, pesquisadora de conteúdo para Vitrine de Conhecimento "Contribuição das Medicinais Tradicionais, Complementares e Integrativas- MTCI no contexto da Pandemia de COVID- 19" e Mapas de Evidências Clinicas BVS MTCI Americas.

"Se partimos do princípio que a Síndrome do Burnout tem como conceito básico ser o resultado do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso, o primeiro passo é saber e caracterizar quais são os fatores estressores que afetam os professores da rede pública. Com um grande número de demandas, os professores podem começar listando prioridades e as tarefas mais estressantes.

Acredito que fatores como valor dos salários, sobrecarga de trabalho, indisciplina estudantil, violência, formação continuada deficitária para atender às demandas educacionais da atualidade, falta de apoio dos pais e muitas vezes da direção da escola, podem ser considerados desencadeadores que merecem ser pontuados e trabalhados como um “Programa de gestão”, em níveis diferentes da saúde ocupacional desses profissionais. 

Os sintomas da síndrome podem ser divididos em efeitos mentais/emocionais como sensação de exaustão ou esgotamento de energia, redução da eficácia profissional, aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, fadiga, desânimo, insônia, depressão e ansiedade.

E físicos como cefaléias (dores de cabeça), tensão muscular, problemas cardiovasculares, dores lombares e cervicais, laringites e autoconsumo de medicamentos antidepressivos. Trabalhar na prevenção é o melhor caminho. Comece entendendo seu corpo e as mudanças que ocorrem o tempo todo. Cuide de si, faça algo que goste, pratique uma atividade física, como caminhar, dançar, ter conversas saudáveis, se alimente melhor e mude o ambiente..

As Práticas Integrativas e Complementares (PICs) podem ser boas aliadas, e o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece algumas práticas que podem também ser desenvolvido em casa.

Para o tratamento são indicados relaxamento mental e físico com respiração adequada, yoga, meditação, tai chi, dança, musicoterapia, acupuntura, eletropuntura, laserterapia sistêmica, aromaterapia, ozonioterapia, homeopatia ou até mesmo massagem”, explica.

Mindfullness:  prática da chamada consciência plena ou aumentada. Um exercício que pode ser feito todos os dias e até no local de trabalho: Sente-se em uma postura ereta, em uma cadeira com encosto reto. Se possível, afaste um pouquinho suas costas do encosto da cadeira para que sua coluna vertebral se sustente sozinha. Deixe seus pés repousarem no chão delicadamente, feche os olhos e sinta sua respiração, se quiser coloque uma música para relaxar. Pode ser feito minutos antes do início da aula, ao final de uma jornada, ou mesmo indo para casa. Preste atenção em você.

 

Guilherme Renke

Médico consultor da Via Farma, Endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e médico do esporte, titular da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e do Exercício (SBMEE). Tem pós-graduação em Obesity Medicine pela Harvard Medical School e sócio-diretor da Clínica Nutrindo Ideais.


Uma característica dessa condição é que o indivíduo não melhora com o repouso, permanecendo a dúvida se esse quadro poderia piorar com aulas remotas e teleconferências, por exemplo.

Os sintomas são cansaço intenso que não melhora com repouso, perda de memória ou da concentração, dor crônica de garganta com aumento dos gânglios linfáticos no pescoço ou nas axilas, dores musculares e articulares sem causa aparente, dor de cabeça inespecífica e exaustão extrema que dura mais de 24 horas após um exercício físico ou mental.

Por isso, uma das alternativas para tratamento é evitar o consumo excessivo de estimulantes, como a cafeína, dando-se preferência a substâncias adaptógenas, que podem ser indicadas por um especialista para auxiliar na melhora do quadro. Repouso adequado também está indicado, bem como sono de qualidade, evitando-se exposição à tela de telefones e computadores que bloqueiam a produção da melatonina.

“O que as pessoas precisam saber é que existe qualidade de vida após o Burnout ou qualquer outro distúrbio mental. Só é preciso que se livrem de preconceitos e busquem a ajuda de um especialista”, finaliza o endocrinologista.


IMPORTANTE

Os três profissionais deixaram um ponto relevante em seus pontos de vista:

Se mesmo com a adequação dos hábitos, a sensação de fadiga e estresse persistirem, é importante procurar um médico.

Ao sentir que algo está diferente procure ajuda profissional, pois identificar a Síndrome de Burnout (SB) o quanto antes, será melhor.

Não deixe de procurar a ajuda de um especialista para auxiliar nesse processo, mesmo que seja por meio da telemedicina.

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