Sexta, 25 Setembro 2020 12:15

Coração: Saúde, Paz e Vida longa ao Professor

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No Brasil, cerca de 300 mil casos de infarto agudo do miocárdio são registrados por ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para evitar as principais doenças que afetam o coração, é recomendável manter práticas de atividades físicas aliadas a uma alimentação balanceada, com baixa concentração de sódio e açúcar. É sempre bom lembrar a importância do acompanhamento médico e nutricional.


Alguns vilões como diabetes, hipertensão, tabagismo, estresse, obesidade, ansiedade, depressão, colesterol alto e sedentarismo são considerados fatores ameaçadores que desencadeiam doenças cardiovasculares.


Estresse é uma das principais causas de afastamento da sala de aula. Atente para esse número: no estado de São Paulo, 30 mil professores faltam diariamente em decorrência do estresse. Aguenta coração.


Se você é professor leia esses itens, não será difícil se identificar nessas situações:


Jornada de trabalho exaustiva – aulas presenciais e online;

Baixa remuneração;

Excesso de atividades;

Falta de capacitação e atualização;

Ambiente inadequado e material insuficiente;

Indisciplina dos alunos;

Pressão psicológica;

Lesões decorrentes da rotina da profissão;

Pouca autonomia para ministrar os conteúdos da aula;

Violência escolar;

Falta de apoio da gestão e da família dos estudantes.


O Portal CPP convidou o neurocientista Fabiano de Abreu para elucidar como a ansiedade afeta o coração do professor.


Portal CPP: Quais os principais sintomas de estresse?

Fabiano de Abreu: O estresse pode afetar a vida trazendo desde sintomas psíquicos como físicos, podendo levar à depressão. Acne, dores de cabeça, dores crônicas, dores no estômago, alergias e problemas na pele, baixa imunidade facilitando doenças, fadiga, queda de cabelo, taquicardia, bruxismo, sudorese, tensão muscular e alguns outros sintomas que, em última análise, aumentam também os riscos de ataque cardíaco.


O estresse tem sido o responsável pelo alto número de professores que se afastam da sala de aula. Como o estresse se apresenta nos professores?

Em relação aos professores pode estar relacionado aos alunos com a falta de interesse e a falta de liberdade do professor em tomar atitudes para controlar as atitudes de rebeldia. Hoje o professor não pode fazer nada que logo terá que responder pelos atos, por menores que sejam,  mesmo que realizados na tentativa de educar. Os alunos não respeitam os professores como antigamente, agredindo-os com palavras e, em alguns casos, até fisicamente.

Outros fatores como a relação com os baixos salários e o alto custo de vida elevam a incerteza do futuro aumentando a ansiedade. Com isso, muitos professores buscam trabalhar em mais escolas ou maior horário, ou fazer serviços extras gerando uma sobrecarga.


O Brasil está no segundo lugar entre os países mais estressados do mundo, segundo a Associação Internacional de Controle do Stress e da Tensão. Qual a relação entre estresse e o coração?

Toda a “pressão” da ansiedade e do estresse prejudica o coração. Isso acontece porque os neurotransmissores, que são mensageiros químicos no cérebro, sofrem um desequilíbrio quando padecemos de ansiedade potencializada e/ou contínua assim como o estresse. A produção de adrenalina e a noradrenalina, produzidas também nas glândulas suprarrenais como hormônio, aumentam quando estamos ansiosos ou estressados, refletindo-se num aceleramento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, podendo levar ao ataque cardíaco. Já o cortisol, hormônio regulador do estresse produzido nas glândulas suprarrenais, pode causar a morte em pessoas que já tenham doenças cardiovasculares.


Existem formas efetivas de combater o estresse e proteger o coração?

Com comportamentos e hábitos que diminuam a ansiedade e o estresse. Dormir 8 horas à noite, fazer exercícios físicos, ter convívio social, uma boa alimentação, leitura, filmes e séries que melhoram o humor e evitar excesso de informações e pensamentos negativos. Resolver os problemas em ordem de prioridade e sem pressa já que, um problema bem resolvido em mais tempo vale mais que um problema mal resolvido rapidamente.


Deixe uma mensagem, especialmente aos professores de escolas públicas, que diariamente precisam de um coração mais do que valente para enfrentar e vencer tantos desafios.

Valorizem-se, atualizem-se. O presente revela um futuro online, aprimorem-se com aulas no YouTube para serem bons professores também nas aulas online. Vejam os alunos de forma singular e não plural. Estamos na era do usuário, do perfil; assim, cada aluno deve ser educado de acordo com a personalidade e visto individualmente. Lutem por melhores salários com argumentos como ter que educar alunos cada vez mais complexos. Exija das escolas melhores estratégias, uma melhor adaptação aos dias de hoje, e não ao ensino do passado. Busquem uma mudança dentro de si mesmos para conquistar mudanças externas. Temos que nos adaptar. não eles. Conheço professores ricos e outros que não conseguiram achar o caminho. A diferença está na formatação, na revolução interior para a evolução exterior se adaptando à realidade do hoje.  

Fabiano de Abreu é neurocientista, psicopedagogo, jornalista, filósofo, nutricionista clínico e empresário. Especialista em estudos da mente humana e pesquisador no CPAH - Centro de Pesquisas e Análises Heráclito.


Registro e currículo como pesquisador: http://lattes.cnpq.br/1428461891222558

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