Quarta, 24 Março 2021 12:24

Infectologista alerta: aumento de Covid pede criança em casa

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 “No momento de intensa elevação de casos e da emergência sanitária que vivemos, a prudência pesa para o lado da permanência dos alunos em casa”


Felizmente, a Covid-19 é menos agressiva ao atingir crianças e adolescentes. Preocupa, entretanto, pelo aumento de internações de pessoas com pouca idade diante dos números astronômicos atingidos pela pandemia e pelo colapso no sistema de saúde brasileiro.

O alerta vem pelos números. Segundo publicação do jornal O Globo, “as internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças e adolescentes apresentaram um avanço de 24% na média diária entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano em todo o Brasil, mostram dados do Ministério da Saúde. Na esteira da disparada nacional da Covid-19, em que a SRAG aparece como uma das principais consequências, preocupa o salto entre os mais novos: enquanto 128 crianças entre 0 e 4 anos foram internadas em média por dia no mês de dezembro, esse número saltou para 171 em fevereiro, um crescimento de 34%. As demais faixas etárias, de 5 a 9 anos e de 10 a 14 anos, também registraram aumentos, de 15% e 7%, respectivamente.”

Diferente do que aconteceu em 2020, agora, com o aparecimento de uma nova variante, todos os grupos etários estão vulneráveis à Covid-19.

Para contextualizar o contágio do coronavírus em crianças e explicar a chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) ― inflamação ligada à Covid-19, o Portal CPP convidou o Dr. Renato Grinbaum, infectologista e docente do curso de Medicina da Universidade Cidade de S. Paulo (Unicid).


Portal CPP: Por que o coronavírus tem vitimado um maior número de crianças?

Dr. Renato Grinbaum: Por duas razões. Em primeiro lugar porque houve uma disseminação rápida do vírus este ano, parcialmente explicável pelo comportamento das pessoas, o que acabou refletindo nas famílias e escolas. Em segundo lugar, a variante P1, brasileira, parece ser mais agressiva e consegue também causar uma porcentagem maior de casos graves em crianças.

Quais os sintomas apresentados pelas crianças infectadas pelo coronavírus?

Em geral, as crianças apresentam quadros com menor envolvimento, como diarreia e febre isolada. Esses sintomas são os mais frequentes na criança. Existe ainda uma síndrome incomum tardia, que é uma forma sistêmica da doença em crianças.

Em crianças e adolescentes, existe um grupo de maior risco?

Ainda não existe um grupo bem definido de adolescentes e crianças em risco para formas mais graves, embora exista a suspeita que a obesidade infantil possa estar relacionada. De todo jeito, crianças com doenças pulmonares ou cardíacas sempre são alvo de preocupação quando adquirem doença viral respiratória.

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) tem chamado muito a atenção. O que caracteriza essa doença e qual a relação com o coronavírus?
A SIM-P é uma doença que ocorre dias após a manifestação da Covid-19, e se caracteriza por febre prolongada, manchas na pele e várias outras manifestações menos comuns.

Quais os procedimentos para evitar o contágio do vírus em crianças?

Os procedimentos de prevenção para as crianças são similares aos recomendados para adultos. Existe uma controvérsia com relação às aulas presenciais, e normalmente seriam recomendadas, mas no momento de intensa elevação de casos e da emergência sanitária que vivemos, a prudência pesa para o lado da permanência em casa.

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