Quinta, 11 Novembro 2021 15:26

Peleja para professor: o impacto na alfabetização após pandemia

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Uma publicação da Fundação Lemann na primeira semana de novembro revela o resultado de uma avaliação que aponta que 73% dos estudantes estão na categoria dos "não alfabetizados". Apenas 7% podem ser considerados leitores fluentes.

"A questão do analfabetismo produzido na própria escola é “endêmica”, conhecida dos professores e gestores educacionais brasileiros e já foi medida em 2014 e 2016 e 2019.Nos dois primeiros anos, o diagnóstico foi realizado pela ANA - Avaliação Nacional de Alfabetização, e em 2019, pela Avaliação Amostral de 2º ano do SAEB - Sistema de Avaliação da Educação Básica. Constatou-se que, na média, quase 50% das crianças do ensino fundamental no 2º ano, segundo o SAEB-2019, e do 3º ano, nas duas edições da ANA, encontravam-se em situação de não alfabetizadas - afirma a publicação. A importância desse resultado mostra a dimensão do desafio a ser enfrentado em nosso País e a necessidade imperativa de se implementar uma estratégia estruturada de apoio aos envolvidos no processo de aprendizagem" - afirma a veiculação.

O CPP abre espaço à Pedagoga Evelyn Camponucci Cassillo que avalia os impactos na alfabetização infantil causados pela pandemia.  Acompanhe os conceitos da especialista que faz uma análise da importância do acompanhamento presencial com crianças e da necessidades dos processos de alfabetização serem respeitados e feitos individualmente:

Os desafios diante da alfabetização no Brasil foram potencializados por conta da pandemia e o distanciamento social. Muitas crianças e adolescentes interromperam os estudos e a totalidade das escolas permaneceu fechada no período como medida sanitária. Entretanto, a partir deste segundo semestre de 2021, as aulas presenciais estão sendo retomadas e com isso, segundo a professora de Pedagogia Evelyn, surgem as preocupações de docentes em recuperar a defasagem do ensino, principalmente nos anos iniciais.


A especialista explica que a alfabetização é um processo que requer mediação e intervenção do professor o tempo todo e, com o ensino remoto, isso não foi possível ser feito. “Na educação infantil, precisamos trabalhar a consciência fonológica (a consciência dos sons da língua) com a criança, e fazer um trabalho com muita oralidade, onde é preciso acompanhar de perto, ajudar e ensinar a criança sobre o sistema de escrita”, avalia.

Para Evelyn, as aulas remotas afetaram o desenvolvimento das crianças, pois impactou todas as áreas do conhecimento que normalmente são trabalhados em sala de aula, entre elas, a interação e socialização, que são a base para as atividades concretas com experiências que auxiliam no aprendizado.

“Outro fator relevante, é sobre a interferência de algumas famílias durante os processos de ensino-aprendizagem, em que os pais acabavam por intervir nas respostas de seus filhos, por exemplo, fator que dificulta tanto o desenvolvimento da autonomia da criança, quanto o diagnóstico real da aprendizagem do aluno.  Por outro lado, tivemos também algumas famílias que não se fizeram presente em vários momentos cruciais para o aprendizado.

“Em sala de aula, essas crianças normalmente trabalham em pares ou em agrupamentos produtivos, que são pensados previamente pelo professor de acordo com o nível em que cada aluno está. Tais agrupamentos vão se complementando durante a alfabetização na interação e troca e vão avançando juntos na hipótese de escrita. Só por isso já é possível perceber o quanto esse ensino remoto mexeu no processo de alfabetização”, ressalta a pedagoga.

Para a pedagoga, o isolamento social, por conta da pandemia, acentuou ainda mais a desigualdade social no Brasil, afetando negativamente os processos de alfabetização. “Temos crianças que não tiveram o mínimo de acesso às aulas em casa e acabaram prejudicadas, além disso, tivemos as que não estavam matriculadas nas escolas e ficaram ainda mais distantes de usufruir o direito que elas têm. Vale ressaltar que o Brasil teve um crescimento de mais de 4 milhões de crianças e adolescentes sem acesso à educação, sendo que 40% desse número são crianças que estão na faixa etária de 6 a 10 anos, fase de alfabetização e consolidação da leitura, escrita, fundamentos matemáticos, etc.”, analisa a educadora.           


Evelyn orienta que nesse retorno presencial, as escolas precisam realizar um planejamento e um trabalho diagnóstico de cada aluno, de forma cuidadosa para dar andamento no processo de ensino dessas crianças.

A mentora destaca que antes de qualquer coisa, os professores precisam manter a calma para não atropelar os processos de recuperação da alfabetização.

“A impressão que a sociedade tem, é que agora os profissionais devem atingir em um mês, todos os objetivos que foram perdidos em um ano, o que não é bem assim, visto que as etapas de alfabetização não acontecem de uma hora para outra, e devem ser feitas individualmente. A partir da análise diagnóstica, será possível realizar um trabalho intenso com cada aluno, sendo importante muita leitura e reflexão para aprofundar a alfabetização dessas crianças”, argumenta.

Evelyn Camponucci Cassillo é professora do curso de Pedagogia da Unicid e da Pós-Graduação em Alfabetização e Letramento.

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