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Quarta, 27 Abril 2022 10:34

Dia da Educação: ação coletiva reafirma compromisso do CPP

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         "Ingressei como professor quando os estudantes viam os mandatários comprometidos com a educação" -  lembra o professor Silvio dos Santos Martins, 2º vice-presidente do CPP


Ao celebrar seus 92 anos de comprometimento com o magistério, o CPP enfoca o Dia Mundial da Educação, comemorado em 28 de abril, como incentivo para que o contexto educacional alcance o protagonismo que merece como base de uma sociedade com valores mais justos, éticos e igualitários.

O Portal CPP convidou o professor Sílvio dos Santos Martins, segundo vice-presidente  da entidade para opinar acerca do desafiador momento da educação paulista:


Portal CPP:  Qual a sua avaliação do magistério paulista?

Professor Silvio:
A situação dos professores é preocupante.

Acompanhamos ano após ano a defasagem profissional daqueles que abraçam o magistério. Ninguém é atraído para nenhuma profissão sem que haja  um salário condizente que dê condições de sobrevivência. A cada dia que passa os jovens são afastados do magistério. Se  queremos uma educação de qualidade que atinja os objetivos temos que estar ao lado dos professores e da sua valorização.

Governo após governo vemos que a excelência da educação não é uma meta a ser atingida. A qualidade do ensino no Brasil cai gradativamente. Ou a gente muda por meio da valorização dos professores trazendo para a educação os jovens mais capacitados, ou então, cairemos cada vez mais no contexto global. É muito preocupante: sem uma educação de qualidade teremos no futuro que carregar uma responsabilidade que não cabe aos professores, mas sim, ao governo.


Como educador, em que época o senhor enxerga a valorização do professor de forma mais significativa?
Meus familiares e eu sempre tivemos em mente ocupar o magistério. A educação era valorizada.

Na minha formatura como professor primário quem me entregou o diploma foi o professor Sólon Borges dos Reis. Isso tem um valor muito grande. Foi nos idos de 1963. Fomos nós, os  estudantes, que escolhemos o professor Sólon, do CPP, para ser o nosso paraninfo, ou seja, os próprios estudantes davam valor à educação.  

Quando ingressei como professor, em 1964, os estudantes viam os nossos mandatários comprometidos com a educação. Por vezes, precisávamos fazer alguns movimentos para atingir os nossos objetivos, mas o governo também se preocupava com a educação. Hoje não vemos preocupação alguma por parte do governo.

Não há praticamente nenhum mandatário de São Paulo, desde Mário Covas, que tenha valorizado a educação pública. A administração de João Doria coroou a pior situação que o magistério já atravessou. Penso que ao lado de Alckmin e José Serra o mais recente governo mostrou que, para eles, a educação não tem nenhum valor.


CPP entrará com ação coletiva

A cada dia dos seus 92 anos,  o Centro do Professorado Paulista reafirma os propósitos de sua fundação: fortalecer e dar voz aos profissionais do magistério de São Paulo. As ações em favor de seus associados são muitas. Veja esse exemplo: o governo federal liberou para 2022 um piso no valor de R$ 3.845,63. Entretanto, São Paulo oferece aos professores a complementação por meio o abono. Em razão disso, o CPP entrará com uma ação coletiva para que esse valor seja a base para toda a educação paulista e não como quer o governo, um complemento para que o professor que está abaixo do piso possa atingir.



Foto: Folha do Povo - 29 de agosto de 1992

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