Terça, 10 Julho 2018 09:57

No evento em SP, Malala promete investir na educação do Brasil

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'A sua luta e o seu ativismo têm poder de fazer mudanças', diz a paquistanesa durante encontro com estudantes e ativistas em sua primeira visita ao Brasil
 

A paquistanesa Malala Yousafazai, ganhadora mais jovem da história a receber um Prêmio Nobel da Paz, disse na tarde desta segunda-feira (9), no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, que vai investir na educação do Brasil. A ativista não deu detalhes sobre a parceria, mas adiantou que será anunciada em breve. É a primeira vez que ela visita o país.
 

"A melhor forma de melhorar a educação em qualquer país é fazer parcerias com as ativistas locais. Vamos focar nas regiões que mais precisam, como o Nordeste do Brasil, mas também vamos apoiar outras campanhas. Queremos trabalhar junto com vocês. Estou aqui para aprender e usar o Fundo Malala da melhor maneira", disse para a plateia formada por 800 convidados, em sua maioria estudantes e integrantes de ONGS ligadas ao banco Itaú, patrocinador do evento.
 

A Fundação Malala apoia projetos que lutam pela igualdade de gênero na educação em países da África e da Ásia.
 

A ativista completa 21 anos nesta quinta-feira (12) e se tornou símbolo mundial da luta pelo direito das meninas à educação depois de sobreviver a um atentado cometido pelo Talibã. Quando ela tinha 15 anos, foi baleada na cabeça ao voltar da escola onde morava no Vale do Swat, no Paquistão. Na época, ela já defendia publicamente o direito das meninas irem para a escola.

 

"Feliz de estar aqui"
 

Na palestra em São Paulo, Malala participou de um debate sobre educação, feminismo e política com a presença da presidente do Instituto Alana, Ana Lucia Villela, da cientista política e ativista pela educação Tabata Amaral, além da escritora Conceição Evaristo e de Dagmar Rivieri, fundadora e presidente da ONG Casa de Zezinho.
 

Com os cabelos cobertos por um lenço azul, fez questão de responder perguntas de alunos da rede pública que estavam no palco, ressaltou o poder transformador da educação e das mulheres, e elogiou a água brasileira. "É diferente da Inglaterra, me lembra o Vale do Swat."


"Era um sonho vir para o Brasil. Esse país é maravilhoso em termos de cultura e sinto toda a energia positiva que vocês me dão [...] Sou muçlumana, venho de uma terra muito distante e ao mesmo tempo me sinto em casa. Estou feliz de estar aqui", disse.
 

Malala disse que está muito empolgada com o trabalho que fará no Brasil e lembrou que os desafios na luta por uma educação de qualidade e igualitária entre meninos e meninas não são só "externos".

"Há desafios externos como os que existem na sociedade, discriminação, pobreza, extremismo, mas existem outros desafios, os internos porque subestimamos o poder da nossa voz. Esse é o primeiro desafio."

Malala encorajou os estudantes a lutar por direitos e mudanças, principalmente durante o período eleitoral.


"Sei que às vezes existe raiva ou falta de esperança, mas a sua luta e o seu ativismo têm o poder de fazer mudanças. Vocês não devem esperar que alguém fale por vocês. Vocês sempre têm de erguer suas vozes."
 

Quando perguntada se sente raiva ou desejo de se vingar das pessoas que a atacaram, ela diz é a melhor resposta é a educação. "Digo que a melhor maneira de me 'vingar' é pela educação, educar todas as crianças do mundo, inclusive filhos e filhas dos que me atacaram. E de alguma maneira estamos conseguindo isso."
 

Sobre ter sonhos
 

Antes do compromisso oficial nesta segunda, Malala almoçou e conversou com alguns convidados na sede do Itaú, entre elas, a cientista política e ativista pela educação Tabata Amaral.

Tabata pediu a Malala que por meio do seu trabalho na Fundação desse especial atenção à carreira do professor que perdeu atratividade entre os jovens e é uma profissão pouco valorizada.


"Também pedi que ela falasse aos jovens sobre a importância de ter sonhos e propósitos. Nas escolas que visito vejo que quanto mais velhos os alunos, menos sonhos eles têm."
 

Tabata também reforçou a necessidade da criação de uma rede de mulheres ativistas "porque o caminho é muito solitário." "Falamos bastante sobre educação e sobre como as desigualdades, assim como nas guerras, podem causar mortes."

 

O ataque

 

No dia 9 de outubro de 2012, Malala foi alvo de um ataque a tiros por membros do Talibã. Ela estava em um ônibus escolar com outras meninas voltando para casa depois de mais um dia letivo, no Vale do Swat, onde morava no norte do Paquistão.
 

Aos 11 anos, ela escrevia com o pseudônimo Gulmakai para um blog da BBC contando as dificuldades que as meninas tinham para estudar no Vale do Swat. Mas, aos 15 anos, época em que foi baleada, já defendia publicamente o direito à educação para as meninas. Os radicais do Talibã acreditavam que a educação das meninas era uma afronta ao islamismo e destruíram centenas de escolas.
 

Baleada na cabeça, Malala sobreviveu ao atentado, que chocou o Paquistão, mesmo com a onda de violência e repressão por parte dos militantes do Talibã. Ela foi retirada do país com sua família e levada ao Reino Unido. Os médicos retiraram a bala de seu cérebro. Malala se recuperou, mas não retomou os movimentos do lado esquerdo do rosto e perdeu a audição do ouvido esquerdo.
 

Desde então mora na Inglaterra, onde retomou os estudos no ensino médio. Em 2017, cinco anos após o atentado, ela ingressou na Universidade de Oxford para estudar filosofia, política e economia.
 

Símbolo mundial

 

O atentado contra Malala a projetou internacionalmente. Dois anos depois do Talibã ter tentado matá-la, em 2014, quando tinha 17 anos, ela se tornou a pessoa mais jovem da história a receber um Nobel de Paz. Naquele ano ela dividiu o prêmio com o indiano Kailash Satyarthi.
 

Antes, em 2013, estampou a capa da revista Time, como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Em julho do mesmo ano, no seu aniversário de 16 anos, fez um discurso na Organização das Nações Unidas (ONU) que repercutiu no mundo todo.
 

"Os terroristas pensaram que eles mudariam meus objetivos e interromperiam minhas ambições, mas nada mudou na vida, com exceção disto: fraqueza, medo e falta de esperança morreram. Força, coragem e fervor nasceram", disse.
 

Outra frase do seu discurso foi: "nossos livros e nossas canetas são nossas armas mais poderosas. Um criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo."
 

Malala lançou uma biografia, um documentário e criou sua própria Fundação que apoia ativistas que defendem o direito de todas as meninas à educação. Seu trabalho humanitário a levou a diversas partes do mundo onde esse direito é ameaçado. Já foi recebia pela Rainha Elizabeth e pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
 

De volta ao Paquistão
 

Neste ano, no dia 28 de março, ela voltou ao Paquistão pela primeira vez desde que sofreu o ataque dos talibãs há seis anos. Cercada por um forte esquema de segurança, ela visitou o Vale do Swat por apenas poucas horas.
 

"Quando eu não voltei para casa da escola naquele dia em 2012, minha mãe se perguntou se eu um dia veria meu quarto de novo, se ela um dia teria um momento quieto com sua filha em nossa casa", disse. "Ver-me ali deixou minha mãe tão feliz. Ela disse: 'A Malala deixou o Paquistão com os olhos fechados, agora ela retorna com os olhos abertos'."
 

Fonte: G1

1 Comentário

  • Link do comentário GALDINO M SANTOS Terça, 10 Julho 2018 13:48 postado por GALDINO M SANTOS

    Será que os nossos governantes leem esse tipo de matéria?
    Será que não refletem, ao lerem algo assim não se envergonham de agirem da forma com vem agindo há anos? onde a Educação entra na pauta do discurso eleitoreiro de dois em dois anos?
    Seria muito bom que Malala fosse às Casas Legislativas e perguntassem aos nossos legisladores onde se encontra os Projetos de valorização do Educador e da Educação. Lançasse a pergunta aos mesmos quem dentre os senhores tem formação para ser Professor? Porque para ser político, não é necessário escolaridade, mas para ser professor se faz necessário muito investimento e disposição e dedicação.

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