Terça, 11 Junho 2019 10:11

Pressionado por Doria, Covas exonera secretário de Educação

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Durou menos de um semestre a troca na secretaria da educação promovida por Bruno Covas (PSDB) em São Paulo. Pressionado pelo governador e correligionário João Doria, Covas decidiu tirar seu escolhido João Cury Neto do cargo para o qual ele foi nomeado em janeiro deste ano.

 

O secretário de Educação tornou-se desafeto de Doria em 2018, quando decidiu aceitar o convite do então governador Márcio França (PSB) para assumir o posto de secretário estadual de Educação. A movimentação foi entendida como apoio à campanha do pessebista contra Doria na campanha eleitoral.

 

Para o seu lugar o nome mais cotado é o do tucano Bruno Caetano, ex-diretor-intendente do Sebrae, próximo de uma ala tucana mais tradicional, formada por nomes como José Serra e Andrea Matarazzo (atualmente no PSD). Cury deve continuar na prefeitura em cargo menos influente, possivelmente no gabinete do prefeito. Covas pode anunciar a troca na noite desta segunda (10), durante reunião com seus secretários.
 

A chegada de Cury Neto à prefeitura foi cercada de polêmica. Seu antecessor, Alexandre Schneider, conseguiu ampliar as vagas de creche em meio à crise econômica, liderou o desenvolvimento do currículo da cidade e manteve com a categoria docente a boa relação que já tinha quando ocupou o mesmo cargo na gestão Gilberto Kassab (PSD), entre 2006 e 2012. A saída de Schneider pegou os docentes, o secretariado e o próprio ex-prefeito Doria de surpresa.
 

A chegada de Cury, figura próxima de Covas, fez parte de um movimento de articulação política do prefeito, tendo em vista as eleições de 2020. Ao nomear Cury, acreditava que poderia conseguir o apoio de França e de seu partido, o PSB.

 

Procurada pela reportagem, a gestão Covas não se manifestou até a publicação desta reportagem. Em nota, o governador Doria disse que "o prefeito Bruno Covas tem total autonomia para tomar todas as decisões que julgar conveniente."

 

Cury foi expulso do PSDB pelo então presidente estadual da sigla, Pedro Tobias, acusado de "irrefutável transgressão ética".

 

O substituto

Ex-deputado estadual, Bruno Caetano é mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Foi assessor especial na Prefeitura de São Paulo e secretário de Comunicação do governo de São Paulo durante as gestões de José Serra.

 

Em 2011, tornou-se diretor superintendente do Sebrae-SP, por indicação de Serra. Sua saída do cargo, em dezembro de 2018, foi polêmica.

 

Em setembro de 2018, quando Paulo Skaf estava de licença da Fiesp e do Sebrae para disputar a eleição, Caetano respondeu a um pedido de esclarecimentos do Ministério Público sobre suspeitas de irregularidades em contratações na entidade.

 

Em 29 de outubro, dia seguinte às eleições, após Skaf reassumir o cargo de presidente da Fiesp, ele reuniu o conselho do Sebrae, que decidiu pelo afastamento de Bruno Caetano.

 

Depois do afastamento de Caetano, houve ao menos 15 demissões, principalmente de pessoas próximas a ele.

 

À época, Evandro Capano, seu advogado, disse que seu cliente era "vítima de perseguição política por ter informado ao Ministério Público do Estado de São Paulo possíveis irregularidades ocorridas na instituição que envolvem conselheiros desta gestão".

 

Como deputado, suas plataformas estavam relacionadas ao setor privado, com prioridade à simplificação das leis voltadas à abertura e manutenção de empresas.

 
Fonte: UOL

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