Quarta, 25 Março 2020 03:16

Na contramão do mundo, Bolsonaro quer escolas abertas

Avalie este item
(0 votos)
Na contramão do mundo, Bolsonaro quer escolas abertas Pronunciamento em rede nacional/Reprodução TV Brasil

Presidente contraria recomendação de confinamento da OMS; Brasil registra 2.201 casos de coronavírus e 46 mortes


Contrariando a Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda confinamento social como medida eficaz no combate à disseminação do novo coronavírus, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), questionou nesta terça-feira (24) o fechamento de escolas pelo Brasil. Em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, Bolsonaro, na contramão de mais de 150 países, afirmou que o grupo de risco é formado por pessoas idosas, não sendo necessário, portando, o fechamento de unidades escolares. Ele criticou autoridades, indiretamente o governador João Doria (PSDB).

"Devemos, sim, voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada. A proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o de pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas?", disse.

A medida, no entanto, tem sido adotada no mundo inteiro. De acordo com levantamento da Unesco, 156 nações fecharam todas as suas escolas. O órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) estima que 1,4 bilhão de alunos foram afetados pelas ações de resposta ao vírus, o que equivale a 82,5% dos estudantes de todo o planeta — cerca de 4 em cada 5.

Além do Brasil, apenas Estados Unidos Rússia, Indonésia, Fiji e Filipinas mantêm parte de escolas funcionando. Nas Américas, Nicarágua, Haiti, Guiana, Suriname e Guiana Francesa têm suas escolas abertas. Na Argentina, por exemplo, as aulas estão suspensas desde a segunda passada (16).
 
Crianças e adolescentes não fazem parte do grupo de risco da Covid-19, mas podem atuar como importantes transmissores da doença ao transitar entre as escolas e suas casas, mesmo que não apresentem sintomas. Além disso, salas de aulas são ambientes propícios à propagação do vírus, já que o espaço entre os alunos é pequeno (normalmente menor do 1,5 m recomendado pela Organização Mundial de Saúde) e as atividades envolvem contato entre eles. Manter escolas abertas também aumenta o risco de infecção dos professores e funcionários que seguem trabalhando.

Em geral, a medida tem sido tomada em conjunto com outras que vetam aglomerações e desincentivam o contato social. Na Europa, com exceção de Belarus, que ainda mantém as atividades escolares, e da Rússia (parcialmente), todos os países fecharam as escolas —Alemanha, Espanha, França, Reino Unido e Suíça estão entre eles.

A Itália, o país mais afetado da região, adotou a medida no dia 4 de março, mas muitas escolas do norte já haviam suspendido as atividades antes mesmo da decisão do governo federal. O cenário se repete no Oriente Médio. A maioria dos países fechou todos os estabelecimentos de ensino. As exceções são Eritreia, Omã e Iêmen —este vive, desde 2014, uma guerra civil que destruiu seu sistema educacional.

Na África, países em que as escolas ainda funcionam também são exceção. A Austrália é um dos poucos países com um alto número de casos (2.044 até esta terça) que ainda mantém todas as escolas abertas.


A fala do presidente também desautoriza o próprio Ministério da Saúde, que recomenda evitar aglomerações. 


Em São Paulo, o governador João Doria determinou fechamento gradual de escolas no dia 16. A suspensão total começou nesta segunda-feira (23).

O estado de SP lidera o número de covid-19 no país. São 810 casos confirmados e 40 mortes. No país, são 2.201 casos e 46 mortes.

Fontes: OMS, Ministério da Saúde, Governo de SP e Folha de S. Paulo

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.
Campo destinado a comentários relacionados à notícia. Duvidas sobre Vida Funcional devem ser encaminhadas aos respectivos setores.
Clique aqui para ver os contatos.