Quinta, 25 Junho 2020 13:44

Contra reabertura de escola, docentes ameaçam greve

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Os professores da rede estadual de São Paulo ameaçam entrar em greve contra a volta gradual das aulas nas escolas públicas, anunciada nesta quarta-feira (24) pelo governador João Doria (PSDB) e pelo secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares.

A proposta prevê que as aulas presenciais devem retornar, com rodízio entre os alunos, em 8 de setembro, apenas se todo o estado se mantiver por 28 dias (quatro semanas) na fase amarela, que é a terceira do plano de reabertura da economia paulista.

Representantes dos professores dizem, no entanto, que os docentes receberam a notícia com preocupação, numa decisão que avaliam como "prematura" e "incerta", o que pode levar à paralisação da categoria.

"Além da gravidade e extensão da pandemia, nossas escolas não estão preparadas nem aparelhadas para isso. Caso o governo insista na volta às aulas presenciais em plena pandemia, colocando em risco a vida de professores, estudantes, funcionários e famílias, o sindicato debaterá a greve com a base da categoria", disse a presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de SP), a deputada Professora Bebel (PT).

"Acreditamos que não era o momento ainda de se anunciar, porque não se sabe como estará a situação até setembro. Muitos professores já entraram em contato conosco, antecipando que não irão voltar às escolas caso não haja mais certeza sobre a segurança contra a transmissão do vírus", diz Silvio dos Santos Martins, 2º vice-presidente do CPP (Centro do Professorado Paulista). "Sem clareza, não dá para marcar data com antecipação para o retorno."

O estado de São Paulo registrou, nesta quarta (24), o segundo maior número de novos casos de coronavírus em 24h desde o início da pandemia: 9.347. Chegou, assim, a 238.822 no total.

O recorde permanece de mais de 19 mil novos registros, mas na ocasião, um problema no sistema do governo causou um atraso de dois dias na contagem, o que causou o pico anormal.

Medida pode ser contestada na Justiça

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) afirma que pretende acionar a Justiça para revogar o decreto que será publicado no dia 2 de julho e defende que o anúncio da retomada deveria ser feito após a redução drástica da pandemia, com garantias de segurança sanitária.

"Foi um anúncio inconsequente e irresponsável, pois estamos tendo em São Paulo o aumento do contágio e de mortes. Muitas cidades estão voltando atrás com a flexibilização, como Sorocaba, Registro, Marília, Campinas. O plano de retorno transforma nossos alunos e profissionais da educação em cobaias", diz ele.

"As escolas não têm condições de atender às orientações apresentadas. Faltam funcionários, temos mais de 100 escolas de lata só na rede estadual."

Fonte: Agora SP

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