Sexta, 11 Setembro 2020 15:55

Professores influenciam gosto por leitura no Brasil

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Professores influenciam gosto por leitura no Brasil Pixabay

Pesquisa Retratos da Leitura reforça papel de educadores na formação intelectual da população

Os professores brasileiros são lembrados como responsáveis por despertar o gosto pela leitura no país. É o que mostra a 5ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, coordenada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) e realizada pelo Ibope, divulgada nesta sexta-feira pelo Itaú Cultural.

De acordo com os dados referentes a 2019, quando há influência pelo gosto por leitura, a população aponta primeiro para professores. São 11% os que fazem essa referência, além de 22% que afirmam que escolheram o último livro lido por indicação de um educador. No que se refere a livros de literatura, 52% dizem que se interessaram pelo gênero por causa da escola ou de professores.


A lembrança ocorre com mais frequência na faixa etária dos 5 aos 17 anos, idades que compreendem a Educação Básica. Apesar disso, 17% dos entrevistados (veja perfil abaixo) dizem que professores não indicam livros, com maior incidência no Ensino Fundamental I.


Para Zoara Failla, coordenadora da pesquisa, o Brasil deve investir mais em políticas públicas voltadas à formação do professor. "Precisamos estimular e dar subsídios para que os professores se mantenham como intermediadores da leitura. E isso se faz com bons cursos de graduação, de atualização profissional, enfim, com boa formação ao longo da vida", afirma. 

Atrás dos professores aparecem mãe (8%) e pai (4%) como pessoas que influenciam o gosto pela leitura, o que mostra a participação da família no desenvolvimento educacional. A maioria, porém, diz que ninguém em especial contribuiu para o interesse por livros (67%).

Presencial, a entrevista abrangeu 8.076 pessoas, brasileiros residentes com idade superior a 5 anos, alfabetizados ou não, em 208 municípios. Todas as regiões do país foram contempladas (Norte 8%; Nordeste 28%; Centro-Oeste 8%; Sudeste 42%; Sul 14%), assim como as capitais. O índice de confiança é de 95%, com margem de erro de 1 ponto percentual.

BRASILEIRO LÊ MENOS

Somente 52% dos brasileiros se declaram leitores. O índice regrediu 4 pontos percentuais em relação a 2015 (56%), ano da última edição da Retratos da Leitura no Brasil. A amostra considera leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. Entre leitores, 82% gostariam de ler mais, mas alegam falta de tempo para a atividade.

Não gostam de ler 22% dos brasileiros. No tempo livre, o que a população mais gosta de fazer é assistir TV (67%), ficar na internet (66%) e ouvir música (60%). Ler livros, jornais e notícias são práticas menos comuns. Sobre livros, especificamente, 77% não compram obras.

Em média, o brasileiro leitor lê 5 livros por ano, mesma quantidade identificada em 2015. A principal motivação para leitura é o gosto (26%), seguido de crescimento pessoal (17%), distração (14%), atualização (13%), aprendizado (11%), religião (9%), exigência escolar (4%), entre outros. Para 33%, o tema influencia na escolha de uma obra, assim como dicas de outras pessoas (12%), título do livro (11%), capa (10%) etc.

ESCOLARIDADE

O hábito de leitura apresenta queda em todos os ciclos escolares, principalmente no Ensino Superior. De 2015 para 2019, o índice de leitores caiu de 82% para 68%, respectivamente; no Ensino Médio, foi de 62% para 55%; no Fundamental II, de 60% para 54%; e no Fundamental I, de 50% para 49%.

GÊNERO E FAIXA ETÁRIA

As mulheres (54%) leem mais do que os homens (50%). Em termos de idade, o maior percentual de leitores fica com o público infantil. São 81% entre 11 e 13 anos e 71% dos 5 aos 10 anos, taxas que caem gradativamente até chegar ao valor mais baixo, na terceira idade. Dos 14 aos 17 anos, 67% leem; dos 18 aos 24, 59%; dos 25 aos 29, 55%; dos 30 aos 39, 53%; dos 40 aos 49, 45%; dos 50 aos 69, 38%; acima dos 70 anos, 26%. 

CLASSE SOCIAL E RAÇA/COR

Em relação à classe social, 25% correspondem ao recorte A/B; 47% C; e 28% D/E. Os mais ricos deixaram de ler mais do que qualquer outro segmento classificado por renda. Entre quem ganha mais de dez salários mínimos, por exemplo, 12% abriram mão da leitura de 2015 (82%) para 2019 (70%). Sobre os que ganham até um salário mínimo, a queda foi menor, de 50% para 46%.

Do total, 55% são brancos, 52% pardos e 48% pretos.


DEBATE SOBRE OS RESULTADOS

No próximo da 14 de setembro (segunda feira), às 19h,  serão  apresentados  os  resultados da 5ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

A transmissão,  aberta  ao público, será feita por meio das redes do Itaú Cultural (site, Facebook e YouTube).

A pesquisa completa estará à disposição para leitura no site do Instituto Pró-Livro, a partir do dia 14.

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