Segunda, 18 Janeiro 2021 13:42

Professores sentem no bolso o cenário da inflação nos alimentos

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Professores sentem no bolso o cenário da inflação nos alimentos A professora Elisabete Fagundes,68, em feira na região da Bela Vista (região central); ela sentiu no bolso o peso dos alimentos em 2020: "os legumes, principalmente o tomate e a batata, estão mais caros" - Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress

Elisabete Rosa Fagundes, aposentada e associada do CPP, concede entrevista ao Agora São Paulo e diz que sentiu no bolso o peso da inflação nos alimentos


Os itens básicos da mesa do brasileiro ficaram mais caros em 2020. Num cenário de inflação que teve a maior alta desde 2016 e encerrou o ano em 4,52%, os alimentos foram os vilões: tiveram aumento de 14,09% no acumulado dos 12 meses. A alta, que decorre, principalmente, dos efeitos da pandemia de Covid-19 (com o aumento da demanda por esses itens), também é explicada por outros fatores. Entre eles, a valorização do dólar frente ao real e o aquecimento da demanda internacional, com o consequente aumento das exportações e o aumento de preços no mercado interno.

O movimento não passou despercebido pela professora aposentada Elisabete Fagundes, 68 anos, que sentiu no bolso — e no prato — o peso da alta nos preços dos alimentos. "Senti que tudo ficou mais caro, e principalmente dos dois últimos meses do ano para cá. Você vai à feira e os preços dos legumes realmente estão mais altos. Veja, um brócolis custando R$ 8, um abacate R$ 10, a batata, o tomate, tudo está mais caro", queixa-se. "O mesmo dinheiro que você levava até pouco tempo atrás, agora não dá para comprar quase nada."

No caso da batata e do tomate, os itens estão entre as maiores variações de 2020 no grupo de alimentação, em relação a 2019: 67,27% e 52,76%, respectivamente. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística).

Alta da cesta básica

O valor da cesta básica, que reúne alimentos básicos necessários para as refeições de uma pessoa adulta, teve alta em todas as capitais brasileiras em 2020, mostra pesquisa anual do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos). O conjunto inclui itens como carne, arroz, feijão, leite, legumes e açúcar. Em dezembro, a cesta mais cara foi a da cidade de São Paulo: R$ 631,46, com alta de 0,36% na comparação com novembro. No ano, o preço acumulado na capital paulista subiu 24,67%.

A professora Elisabete Fagundes diz que, como além da sua aposentadoria, a única renda da casa vem do marido, que ainda trabalha, a palavra de ordem é economia. "Tento pesquisar e comprar o que estiver mais barato, mas nem sempre dá para comprar tudo o que a gente quer", diz. "No caso da carne, por exemplo, a saída é substituir por ovo."

INFLAÇÃO É A MAIOR EM QUATRO ANOS | ALIMENTOS LIDERAM ALTA

* O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou 2020 em 4,52%

* O índice, que mede a inflação oficial do país, ficou acima do centro da meta para o ano, de 5%

* Foi a maior alta desde 2016, quando a taxa registrou crescimento de 6,29%

ALIMENTAÇÃO ESTÁ MAIS CARA

* O grupo que mais pesou na inflação em 2020 foi o de alimentos e bebidas, cujos preços subiram 14,09% no acumulado do ano

* A alta decorre, principalmente, dos efeitos da pandemia, que impulsionou a demanda por esses produtos, mas também há outros fatores:

1) Alta do dólar que encarece importações

2) Disparada no preço de commodities no mercado internacional

REAL DESVALORIZADO

* A alta dos preços dos alimentos foi fator de preocupação para o governo ao longo do ano passado

* As exportações aumentaram devido ao real desvalorizado e à demanda internacional aquecida

* Com isso, os preços no mercado interno subiram

* O movimento fez com que o arroz, por exemplo, se transformasse no "vilão" do prato do brasileiro

* Entre agosto e setembro, foram comuns cenas de limitação de compra por cliente em supermercados

* No início de setembro, foi zerado até o fim de 2020 o impostos de importação para 400 mil toneladas de arroz, numa tentativa de conter a escassez do cereal

O QUE MAIS SUBIU EM 2020                           O QUE MAIS CAIU EM 2020

VARIAÇÃO (%)                                                  Variação (%)

* Óleo de soja - 103,79%                                    Passagem aérea - _17,15%

* Arroz - 76,01%                                                Hospedagem - 8,07%

* Leite longa vida - 26,93%                                 Seguro de veículo - 7,91%

* Frutas - 25,40%                                              Roupa feminina - 4,09%

* Carnes - 17,97%                                             Mobiliário - 3,20%

* Batata-inglesa - 67,27%

* Tomate - 52,76%

CESTA BÁSICA AUMENTOU EM TODAS AS CAPITAIS

. Os preços do conjunto de alimentos básicos necessários para as refeições de uma pessoa adulta tiveram alta em todas as capitais

. São avaliados itens como: carne, arroz, feijão, leite, legumes, frutas e açúcar

* Em dezembro, a cesta mais cara foi a da cidade de São Paulo: R$ 631,46, com alta de 0,36% na comparação com novembro

* No ano, o preço acumulado do conjunto de itens na capital paulista subiu 24,67%

* Pesquisa é feito pelo Dieese

PARA QUEM GANHA O PISO, MAIS DA METADE DO SALÁRIO É PARA COMPRAR COMIDA

* O levantamento mostrou ainda que, em dezembro, o brasileiro comprometeu, na média 56,57% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos da cesta básica

* O salário mínimo líquido é o valor da remuneração do trabalhador já com o desconto feito à Previdência Social

Fonte: Agora São Paulo - matéria de Laísa Dall'Agnol

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3 comentários

  • Link do comentário Maria Geny Horle Sexta, 22 Janeiro 2021 00:59 postado por Maria Geny Horle

    Todos os paulistas, em especial os servidores públicos aposentados estão sentindo o peso da caneta do Sr Governador.

  • Link do comentário Lídia Aleixo Quinta, 21 Janeiro 2021 11:20 postado por Lídia Aleixo

    Desgoverno para todos os lados, federal, estadual, municipal, e com pandemia, caos econômico, desemprego, o João Dória resolveu descontar dos aposentados a contribuição previdenciária novamente, já pagamos no mínimo 25 anos, sujeito sujo, ordinário, se continuar descontando vou solicitar na base dos descontos realizados outra aposentadoria, se desconta é direito meu recebê-la, #foraDoria, #forabolsonaro.

  • Link do comentário Antonio Augusto de Araujo Vedoveli Segunda, 18 Janeiro 2021 18:56 postado por Antonio Augusto de Araujo Vedoveli

    O Dória-Botox, insiste em acabar com tudo que ajude as pessoas, como: retirar verbas das universidades, acabar com o subsídios dos transportes públicos para os idosos e sequestrar salários dos aposentados e pensionistas. Ele só pensa no pessoal que habita os "jardins paulistanos" e ser presidente da república - através da "guerra suja" da vacina contra o covid-19.

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