Sexta, 15 Fevereiro 2019 11:17

Temos a BNCC mas os docentes seguem com formação do passado

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Com a BNCC em mãos e os objetivos de aprendizagem das crianças bem definidos temos, agora, as condições para definirmos também os objetivos de aprendizagem dos professores


Quando uma coisa começa ter várias definições e nomenclaturas é porque está na hora de repensá-la. Um exemplo é o que vem acontecendo com o professor. De uns tempos para cá ele virou tutor, mentor, coach, mediador, facilitador, gestor. Isso expõe a enorme necessidade de ressignificar a profissão e de mudar a forma de dar aula, pois ela está defasada, desconectada da realidade, dos jovens e da escola. E o momento para fazermos isso é agora.
 
Temos, finalmente, uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para todo o ensino básico, uma conquista incrível para elevar o nível da nossa Educação. Com esses objetivos de aprendizagem para as crianças bem definidos em nossas mãos temos as condições para definirmos também os objetivos de aprendizagem para os professores. Afinal, de que adianta ter uma base que aponta para o futuro se os professores continuam a ter uma formação do passado?
 
Da forma como foi aprovada, a BNCC exigirá um professor totalmente diferente, com uma visão maior do ser humano que ele está formando, pois dá ênfase à formação integral, aos modelos ativos e extrapola o escopo acadêmico. O tipo de aprendizagem proposta na base curricular também requer um professor que seja hábil em gestão de sala de aula e de projetos e que saiba trabalhar os conteúdos de forma contextualizada e transversal.
 
Para formar professores assim teremos que fazer uma verdadeira revolução nas universidades de Pedagogia e cursos de licenciatura. Felizmente, começamos a avançar nesse sentido com a primeira versão da Base Nacional Comum para a Formação Docente. O documento, concluído e apresentado em dezembro pelo Ministério da Educação, está agora no Conselho Nacional de Educação para discussão, análise e validação, o que deve acontecer ao longo deste ano.

A proposta do MEC parte da premissa de que os cursos de formação docente no país priorizam a teoria em detrimento da prática e sugere uma formação mais interdisciplinar e mais conectada com o chão da escola, com a demanda dos alunos e com a realidade que vivemos hoje, o que faz todo o sentido. O documento não fala em conteúdos, mas em competências e habilidades que o futuro professor deve desenvolver ao longo de sua formação inicial e que se dividem em três eixos: conhecimento, prática e engajamento.

No eixo do conhecimento, os professores devem dominar os conteúdos e conhecer a gestão e as estruturas dos sistemas educacionais. Em relação à prática, devem saber planejar ações, criar ambientes de aprendizagem e dominar didáticas e metodologias. No engajamento, devem desenvolver habilidades para participar da elaboração dos projetos pedagógicos das escolas. O texto ainda trata de outras questões associadas, tais como a criação de um instituto nacional de formação docente, a instituição da residência pedagógica e de um exame para ingresso e progressão na carreira.

Enfim, estamos num bom caminho. Uma base curricular e uma reformulação na formação dos professores foram o ponto de partida de todas as reformas educacionais bem sucedidas no mundo, como as que se deram em Singapura, na Finlândia e na Coreia do Sul. Se tivermos sucesso na elaboração dessa Base Docente, teremos um ecossistema educacional totalmente diferente em 5 ou 10 anos.

Não será uma tarefa fácil. Tal como a BNCC, a versão final Base Docente demandará um trabalho hercúleo e precisará da colaboração de muitas mãos e cabeças brasileiras e, principalmente, ser bem executada. Neste momento, o importante é não perdemos o foco. A transformação da nossa Educação depende dessa mudança radical, e para melhor, na formação dos nossos professores.
 
Se queremos uma escola do século 21, capaz de ensinar habilidades do século 21 a alunos do século 21, precisamos formar professores do século 21, não do século 20! Concretizar essa ideia deve ser a nossa prioridade máxima daqui para frente!

Ana Maria Diniz - escreve na coluna do Estadão/Edu
 

Última modificação em Sexta, 15 Fevereiro 2019 18:57

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