Sexta, 17 Setembro 2021 11:30

Sala de aula e ensino híbrido: novo desafio?

Avalie este item
(0 votos)

A pandemia nos confinou no espaço da casa, para quem pôde e ainda pode viver o distanciamento físico. As escolas e outros espaços de aprendizagem foram obrigados a ir além das atividades presenciais e invadir o ciberespaço por meio de práticas curriculares como o ensino remoto, a educação a distância, a educação on-line e o ensino híbrido.

O que é ensino híbrido?

O ensino híbrido é uma das maiores tendências da Educação do Século XXI. Ele propõe uma mistura entre o ensino presencial e propostas de ensino on-line, ou seja, é uma abordagem pedagógica que une atividades presenciais e atividades realizadas por meio das tecnologias digitais de informação e comunicação.

A abordagem híbrida exige a articulação/reformulação de espaços, tempos e pedagogias aproveitando o que há de melhor em cada arranjo e entre todos em conjunto.

São muitas as propostas de como combinar atividades presenciais e on-line. Na essência, a estratégia consiste em colocar o foco do processo de aprendizagem no estudante e não mais na transmissão de informação que o professor e a professora tradicionalmente realizam. O estudante estuda o material em diferentes situações e ambientes (incluindo o ciberespaço), assim a sala de aula passa a ser o local do desenvolvimento das atividades ligadas à resolução de problemas ou projeto, debates e laboratórios, entre outros. O profissional da educação em colaboração com os colegas apoia essas atividades.

               
Como organizar o ensino híbrido?

Existem várias propostas de organização do ensino híbrido. Para mim, aquela que entende o ensino híbrido com e na cibercultura é a que pode revolucionar a prática pedagógica. A proposta é a criação de currículos em rede. Neste caso, não há separação entre os currículos desenvolvidos na sala de aula presencial daqueles da sala de aula totalmente on-line. Os profissionais da educação e estudantes trabalham juntos e com os artefatos culturais, curriculares e digitais. O foco é na autonomia do estudante: ele decide seus itinerários de aprendizagem e formação e controla seus tempos de estudo. O professor e a professora realizam a mediação em espaços e tempos presenciais e on-line.

O ensino híbrido transforma a sala de aula?

Em primeiro lugar, precisamos ter claro que a adoção de qualquer modalidade de ensino remoto deve passar pela distribuição de equipamentos e pela construção de projetos pedagógicos que precisam ser negociados e construídos junto com os professores e professoras. Isso é inegociável.

Outra questão a ser considerada é a do acesso à internet. Os números levantados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad C), no 4º trimestre de 2019 e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em abril de 2021, mostram o crescimento da proporção de domicílios brasileiros com acesso à internet - o índice subiu de 79,1% para 82,7%, na comparação com 2018, um aumento de 3,6 pontos percentuais. No entanto, o Instituto aponta que 40 milhões de pessoas não têm acesso à internet no País.

O atual desafio de manter a escola viva, mesmo em situação de isolamento sanitário, será exponencialmente maior quando nos voltarmos para a reconstrução da educação no pós-pandemia. Nesse processo, o financiamento da educação terá que ganhar destaque nas discussões e atenção do governo, de tal forma que a educação seja, de fato, direito inquestionável de todos e todas.

Maria Claudia de A. Viana Junqueira
Coordenadora do Encontro dos Professores Representantes

Lido 158 vezes

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.
Campo destinado a comentários relacionados à notícia. Duvidas sobre Vida Funcional devem ser encaminhadas aos respectivos setores.
Clique aqui para ver os contatos.