No final do século XIX a saúde na escola era entendida como higiene escolar. Essa forma de relacionar escola-saúde, principalmente na Educação Infantil, conduz á crença de que educar significa cuidar, ensinar a escovar os dentes, a lavar as mãos, pretendia-se com isso utilizar o sistema de saúde na instituição escolar para evitar doenças contagiosas. Cuidava-se dos pequenos e, ensinava-se o estudante do ensino fundamental e médio.
A visão higienista, embora muito questionada hoje, ainda está enraizada na escola. Ela incorporou novas ideias a partir dos anos 50, como a “biologização” de problemas relacionados à aprendizagem escolar que levaram aos programas de merenda e ao encaminhamento de estudantes para avaliação de especialistas. Já nas décadas de 70 e 80, ainda na esteira da “biologização”, assistimos à priorização dos exames físicos na escola, vistos como recursos para resolver os problemas de aprendizagem. Contudo, essa patologização do “fracasso escolar” não resolveu os problemas de ensino e aprendizagem.
O que fazer? É preciso entre outras ações de governo, mudar radicalmente a formação dos professores de educação básica, alterar a estrutura curricular dos cursos de formação inicial e continuada. Abrir espaço para o diálogo entre profissionais da educação e saúde, para a transdisciplinaridade, para a celebração da vida.
Mas, é preciso também que nós, profissionais da educação, nos antecipemos às ações que demandamos do governo e nos apoderemos das concepções contrárias às defendidas pela medicalização da saúde e da educação.
Leia as “Recomendações de práticas não medicalizantes para profissionais e serviços de educação e saúde”.
Para saber mais sobre o assunto:
Participe do Seminário “Medicalização: cenários contemporâneos no âmbito escolar”
Local: Câmara Municipal de São Paulo
Dia: 9/junho/2014
Horário: das 13h30m às 18h00
Secom/CPP

Quando o paciente recusa-se a tomar o remédio, pouco importa se o hospital é maravilhoso ou o médico.
Ele continuara doente.
Hoje os alunos simplesmente ignoram o remédio.
Já que muitos pessoas formadas estão fora do mercado ou com salários baixos.
Atividades de menor importância são melhor remuneradas.
Resposta CPP:
Professor, obrigada por sua participação.
A proposta do “não à medicalização” procura trazer à discussão se, de fato, todos os diagnósticos que conduzem á medicalização são a solução para o problema. Qual seria por exemplo a solução para o estresse dos profissionais da educação devido às condições de trabalho e salário? Seriam os antidepressivos ou a garantia de boas condições de trabalho, valorização da carreira e salário digno?
Abraço
Maria Claudia
Email: formacao@cpp.org.br