
O “Descongela Já” foi sancionado finalmente! Mas é importante entender exatamente o que isso significa: a Lei Complementar 226/2026 destrava a contagem do tempo de serviço que ficou congelada por 583 dias na pandemia e autoriza estados e municípios a reconhecerem os efeitos disso na carreira. Não é um “pagamento automático” e a lei não vem dizendo, preto no branco, que todo mundo vai receber retroativo imediatamente.
E é aí que começa o ponto crítico. Porque, nesses 583 dias, o professor não ficou “congelado”. O professor trabalhou sob pressão, com sobrecarga, gastando do próprio bolso, segurando a educação pública do jeito que dava. Enquanto isso, a carreira ficou travada. E quando a carreira trava, a renda trava junto. Não estamos falando de detalhe. Estamos falando de progressões, quinquênios, sexta-parte e licença-prêmio… Mecanismos que organizam a vida do servidor e fazem diferença real no orçamento.
Então, sim: a sanção é um avanço político e jurídico. Reabre uma porta que estava fechada. Mas ela não encerra a luta. Ela muda a fase da luta. Porque agora a pergunta não é “se existe lei”. A pergunta é: como isso vai ser regulamentado e aplicado na prática? Com que critérios? Em que prazos? Com que transparência? E sem deixar ninguém para trás, inclusive aposentados.
E aqui em São Paulo, a gente precisa ser direto: o Estado vai cumprir de forma completa ou vai tentar empurrar com a barriga? Vai reconhecer os efeitos na carreira de verdade ou vai inventar obstáculo burocrático para reduzir o impacto?
Por isso o CPP deixa um recado firme: nós vamos acompanhar e cobrar. Vamos exigir regulamentação clara, orientação para a categoria, transparência nos cálculos e um caminho objetivo para que nossos direitos nunca mais sejam congelados.
*Silvio dos Santos Martins é presidente do Centro do Professorado Paulista

Em meio aos setores públicos dos diversos entes federados, foi noticiado pelos colegas funcionários públicos da educação, que os sindicatos que os representam, como por exemplo na cidade de São Paulo, protocolaram um pedido de urgência para o cumprimento da lei e em resposta, a PMSP anunciou que em março/2026 começará realizando os pagamentos e demais providências, com relação aos funcionários que têm direitos e atendem os requisitos da lei. Minha pergunta: Então porque o CPP não faz a mesma cobrança junto ao governo do estado, ao invés de ficarmos aguardando a boa vontade do governador? E olha que boa vontade com a gente ele não tem nenhuma!