Eles participam do projeto de uma empresa brasileira que leva a sala de aula para os locais de trabalho

Neste domingo (3), acontece o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). A prova confere as competências e habilidades daqueles que não concluíram o Ensino Básico na idade estipulada.
Aplicado pelo Inep, o exame possibilita que as Secretarias Estaduais de Educação e Institutos Federais emitam a certificação de conclusão do ensino aos aprovados.
Este ano, 155 operários de uma construtora e incorporadora brasileira vão participar do Encceja em diferentes regiões do Brasil.
Esses alunos fazem parte do projeto Escola Nota 10, criado pela MRV para dar acesso à Educação aos operários nos canteiros de obras.
Dentre os 155 profissionais que farão o Encceja está Júlio de Jesus, que aos 33 anos vê no exame a oportunidade finalizar um ciclo educacional e começar a construir um futuro melhor.
Aos 21 anos ele teve que deixar a escola durante o Ensino Médio para se dedicar exclusivamente ao trabalho informal como ajudante de pedreiro.
Morador da Baixada Fluminense, atualmente ainda trabalha nos canteiros de obra, mas com carteira assinada, e tem uma árdua rotina de deslocamento de sua casa até seu local de trabalho.
Para Júlio os estudos pareciam fora de cogitação, até que ele viu uma oportunidade imperdível.
“Nunca pensei em voltar a estudar, porque achava que seria impossível conciliar. Mas, quando comecei a trabalhar na obra da MRV, no ano passado, fui apresentado ao programa [Escola Nota 10] e vi ali uma oportunidade real de crescer na carreira”, explica o rapaz.
Ele, que participa das aulas três vezes por semana, das 7h às 8h30, pretende ingressar na faculdade após conseguir sua certificação no Encceja e subir alguns degraus na carreira.
“Quero terminar essa etapa para começar um curso de administração e, no futuro, de engenharia. Meus colegas na obra até brincam comigo, me chamam de ‘meu futuro engenheiro’. Isso me dá força pra continuar”, revelou Júlio.
