
O novo secretário estadual da Educação, João Cury Neto, avalia dar dinheiro para as famílias escolherem o transporte escolar e a merenda de seus filhos. A ideia é ter um valor para cada filho, e o pai decide como a criança vai à escola – se preferir levá-la a pé, por exemplo, poderia usar a verba para outra coisa. “Eu fico imaginando uma família em que o pai está desempregado e falo que vou dar R$ 200, R$ 300 por mês. Ele tem carro, passa a levar o filho dele e os do vizinhos e fica com dinheiro para fazer o que quiser”, diz o secretário, que é advogado e foi empossado há 15 dias.
A trajetória aponta para um cenário favorável, mas há oscilações e temos de entender o porquê. Essa questão é algo sempre muito discutido. Não acho que tem excesso de avaliação. O que a gente precisa é interpretar muito bem as avaliações, procurar entender o que está por trás, para ter um diagnóstico que dê para a área pedagógica a capacidade de desenvolver ações para resolver com eficiência.
Está, mas temos de aprofundar. Aproveitar as avaliações para essa leitura, que é muito mais importante que a nota. Não adianta ter avaliação se depois os acúmulos de erros se tornam irreparáveis e se compromete o aprendizado. Precisa propor uma medida rápida.
Devia e, de certa forma, está. Se olharmos os resultados, estamos na frente em todos os ciclos (São Paulo tem o maior Ideb – avaliação federal – do ensino médio, empatado com Pernambuco. Mas o Estado nordestino alcançou sua meta e melhorou as notas). São Paulo, ao mesmo tempo que é o mais rico, tem a maior rede, uma série de dificuldades. Orçamento alto, mas folha de pagamento alta. Nesses Estados, como Ceará e Pernambuco, a impressão que tenho é de que tem uma decisão política muito forte. Acho que isso faz toda a diferença, quando você tem alguma coisa que envolve pessoalmente a liderança. Uma forca, um compromisso grande de fazer isso uma agenda importante.
Acho que em São Paulo também teve e tem, mas aqui não há condição de ser só uma agenda. A mobilidade urbana é também muito importante. Não sei se é tão prioritário em Pernambuco e no Ceará. São Paulo tem várias agendas. Educação é uma delas.
Não sou completamente contrário, acho que tem de acontecer naquilo que não é atividade-fim. A gente dar o voucher para o aluno e ele ir onde quiser ou colocar uma organização social para tocar uma escola, isso tem de amadurecer ainda. Mas acho que você dar um cartão para uma mãe para ela escolher o transporte que quiser para o filho, e se ela levar o filho e quiser ficar com o recurso para outra coisa, eu não vejo nenhuma dificuldade. Não vejo nenhuma dificuldade no empoderamento da pessoa.
Preciso dar o ônibus para o aluno? Não, a lei não diz isso e, sim, que tenho de dar condições para ele chegar à escola. Faço uma pesquisa no mercado, quanto custa por mês para o aluno chegar à escola pelo transporte que ele quiser? São Paulo tem uma oferta de serviço enorme. Temos de conversar com a mãe, para ver se ela não vai achar isso uma transferência de problema. Mas se ela disser: pode me dar o dinheiro que garanto que meu filho vai chegar à escola são e salvo, e vai render. Por que não? Eu estou louco para fazer isso aqui.
A ideia não é economizar, é dar autonomia para as pessoas decidirem. Se gerar economia, ainda melhor. Eu fico imaginando uma família em que o pai está desempregado e falo que vou dar, por filho, R$ 200, R$ 300 por mês. Ele tem um carro, passa a levar o filho dele e os do vizinhos na escola e fica com dinheiro para fazer o que quiser. A ideia do “voucher” é diminuir a tutela do Estado. O Estado não precisa ser enorme, que tutela tudo e todos. Merenda também daria, para alunos de ensino médio.
