
Avaliação educacional e mutação social em Seminário Internacional com múltiplas temáticas em São Paulo
Qualificar a educação tornou-se uma responsabilidade extremamente desafiadora. É enxergar que o processo de avaliação deve ser entendido a partir de cada contexto, de cada ângulo em particular sem jamais desmembrar os aspectos educacionais dos socioculturais.
É necessária uma visão globalizada para fazer com que a avaliação possa se tornar um estímulo à aprendizagem, considerando-se não apenas o que é quantificável, mas, também, a dimensão qualitativa unindo os aspectos objetivos e subjetivos do processo. Dessa forma, especialmente o terceiro setor, mantém uma atenção às ações que promovem alterações sociais.
“A avaliação para o desenvolvimento consiste em processos e atividades que apoiam o desenvolvimento de um programa, projeto, produto ou organização. O avaliador faz parte de uma equipe cujos membros colaboram para conceber, planejar e testar novas abordagens num contínuo processo de melhoria, adaptação e mudança intencional a longo prazo. A função primária do avaliador na equipe é a de elucidar discussões com base tanto em dados como na lógica avaliativa e de facilitar a tomada de decisões baseadas em dados no processo de desenvolvimento”, explica Michael Quinn Patton, um dos fundadores da avaliação como profissão nos Estados Unidos, referência na área e um dos palestrantes internacionais mais renomados e consultor de diferentes organizações.
Patton destaca a importância do pensamento de Paulo Freire e sua influência na prática e teoria da avaliação e de valorizar, na avaliação educacional, igualmente aspectos objetivos e subjetivos. Segundo o palestrante, a prática da avaliação começa no desenho do projeto e passa pelo seu monitoramento, pela análise da implementação.
Com o principio da “avaliação focada no uso”, Michael Patton, fundador e presidente da Utilization-Focused Evaluation, foi o convidado especial do 14° Seminário Internacional de Avaliação: Pensamento Avaliativo e Transformação Social, promovido pelo Itaú Social, Fundação Roberto Marinho e Instituto C&A – evento que lotou o Centro Cultural São Paulo e agregou importantes especialistas brasileiros da educação, avaliação e pesquisa social, do governo e do terceiro setor como Paulo Januzzi, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, Neca Setubal, Presidente dos Conselhos da Fundação Tide Setubal e do Gife – Naércio Menezes, do Centro de Políticas Públicas do Insper -, Mônica Pinto, da Fundação Roberto Marinho, João Franca, do Instituto Camará Calunga, Giulianna Ortega, do Instituto C&A, Fábio Barbosa e Angela Dannemann, do Itaú Social.
Diferentes temáticas foram discutidas como a influência de Paulo Freire na forma da prática e teoria da avaliação.
“Penso que a primeira responsabilidade da gente é criar e sustentar espaços coletivos. Essa juventude e as crianças em especial têm vontade de se relacionarem, produzirem pensamentos, arte, cultura, especialmente nos territórios vulnerabilizados, por atos intencionais ou por condições”, opinou João Franca, do Instituto Camará Calunga.
É um desafio fazer com que política pública no Brasil tenha resultados – para isso, a avaliação de implementação exige abordagens estruturadas e menos estruturadas, quantitativas e quase experimentadas. “É preciso entrevistar gestores, é preciso entrevistar o burocrata de rua, o técnico que está padecendo todas as dificuldades. Todos eles têm como colaborar. Política pública não significa política para pobre”, explicou Paulo Januzzi, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.
O 14° Seminário Internacional de Avaliação: Pensamento Avaliativo e Transformação Social aconteceu em 15 de agosto no Centro Cultural São Paulo.
