Os alunos, professores e funcionários do Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici rejeitavam a ideia da escola ser lembrada pelo nome do ditador que governou o país entre 1969 e 1974. Então, decidiram fazer uma eleição e mudar o nome para Colégio Estadual Carlos Marighella.
A Secretaria de Educação da Bahia acatou o pedido e a mudança foi regulamentada na sexta-feira, 14, conforme publicação no Diário Oficial do Estado.
O novo nome foi escolhido por meio de eleição democrática. A mudança é histórica.
O colégio foi inaugurado em 1972, quando o general gaúcho Médici ocupava a Presidência da República, sem jamais ter recebido um só voto popular. Seu governo (1969-74) marcou um período sombrio de muita repressão.
Durante os 21 anos em que a ditadura se impôs, ao menos 400 oposicionistas foram torturados até a morte. A história de Carlos Marighella (1911-69) foi marcada pela violência da ditadura militar. O guerrilheiro baiano foi assassinado em 1969, no governo Médici. Em processo entre 1996 e 2011, o Estado assumiu a responsabilidade por seu homicídio e pediu perdão à sua família.
Havia, também, outro candidato à eleição da escola, o geógrafo baiano Milton Santos (1926-2001), um dos pensadores brasileiros mais brilhantes do século XX. Também foi perseguido pela ditadura. Milton Santos foi obrigado a passar mais de uma década no exílio, inclusive durante a administração do general Médici.
O resultado da eleição foi o seguinte: 406 votos (69%) a Marighella e 128 ao geógrafo Milton Santos. Os nulos foram 25, e os brancos, 27. O colégio é de ensino médio e profissionalizante e fica em Salvador, na Bahia.
Secom/CPP
