O contribuinte pagará cerca de 3,75% de Imposto de Renda a mais em 2019 do que desembolsou em 2018, considerando que seu salário tenha sido corrigido apenas pela inflação (medida pelo IPCA) acumulada no ano passado e que suas possibilidades de dedução do imposto, como gastos com educação e saúde, também tenham aumentado na mesma proporção. Isso acontece porque o governo não atualizou os principais descontos possíveis (educação, saúde e dependentes) nem corrigiu a tabela de quem deve pagar imposto. “A não correção da tabela do IR pelo índice de inflação faz com que o contribuinte pague mais Imposto de Renda do que pagava no ano anterior”, informou o Sindifisco Nacional, sindicato dos auditores da Receita Federal.
 
A defasagem média acumulada da tabela do IR desde 1996 já chega a 95,46%, segundo os cálculos do sindicato. Se a tabela tivesse sido corrigida integralmente pela inflação nos últimos 22 anos, quem ganha menos de R$ 3.689,94 por mês estaria isento de Imposto de Renda. Hoje, somente quem recebe menos de R$ 1.903,99 está isento. Corrigir tabela é dever do governo, dizem auditores “A correção da tabela pela inflação representa tão somente uma obrigação do governo, no sentido de manter a mesma carga tributária de um exercício para outro. A não correção ou sua correção parcial aumenta a carga tributária e penaliza de maneira mais acentuada o contribuinte de menor renda”, declarou o sindicato dos auditores da Receita.
 
A Receita Federal prevê que o número de pessoas que terão que apresentar declaração aumentará para 30,5 milhões neste ano, cerca de 800 mil a mais do que em 2018, quando foram entregues 29,7 milhões de declarações. Correção depende de vontade política, diz Receita A Receita Federal esclareceu, em nota enviada ao UOL, que a decisão sobre a correção da tabela do IR não depende do órgão. Trata-se de uma “questão política”. Veja a íntegra da nota: “Cumpre esclarecer que o reajuste da tabela do Imposto de Renda é uma questão política e não técnica e está fora da esfera de competência decisória da Receita Federal. O cidadão deve exercer o controle social sobre seus representantes  nos Poderes Executivo e Legislativo Federal ,  a quem compete a deliberação e tomada de decisão sobre o tema”.
 
Fonte: UOL Economia