Em audiência pública na Câmara, titular da Educação usou o exemplo do traficante colombiano morto nos anos 90 para sugerir escolas cívico-militares
Colombiano naturalizado brasileiro, o ministro da Educação, Ricardo Vélez, comparou nesta quarta-feira (27), em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, a ação de traficantes brasileiros em escolas para cooptar estudantes e vender drogas à estratégia utilizada na Colômbia pelo megatraficante internacional Pablo Escobar, líder do cartel de Medellín, morto pela polícia em 1993.
O ministro usou o exemplo de Pablo Escobar ao defender aos integrantes da Comissão de Educação da Câmara a expansão da rede de escolas cívico-militares no Brasil. Segundo Vélez, a gestão cívico-militar, na qual policiais militares assumem a administração de instituições de ensino do ensino fundamental e médio, “afasta o traficante da escola”.
“O traficante dá no pé, porque quer massa de manobra. Era o que fazia Pablo Escobar em Medellín. A mesma coisa. Pablo Escobar tinha campos de futebol para os jovens e uma pequeninha biblioteca. Por isso, eu tenho esses jovens aqui, e não consumem cocaína porque é produto de exportação. A ideia não era consumir na Colômbia.”
Atualmente, há pelo menos 120 escolas cívico-militares no Brasil. Cinquenta delas estão em Goiás, estado que tem se tornado referência neste modelo de gestão escolar.
Neste ano, o governo do Distrito Federal implantou o regime cívico-militar em três escolas da capital do país. As unidades de ensino do DF participantes do projeto adotaram o mesmo formato das escolas militares em relação à exigência da disciplina e ao cumprimento de horários.
Cada uma das escolas recebeu entre 20 a 25 militares (policiais ou bombeiros) em seu quadro de servidores. Além disso, os estudantes passaram a usar uma farda, ter aulas de musicalização e educação moral e cívica com os militares.
“As escolas cívico-militares, que aliás temos aqui vizinhas no estado de Goiás, não foram feitas por este governo [Bolsonaro]. Foram feitas pelo governador anterior [de Goiás, Marconi Perillo]. Essas escolas estão sendo um sucesso, os senhores sabem. Não há arma dentro da escola, tem agentes de segurança encarregados da parte administrativa dentro da escola”, disse o ministro.
Vélez afirmou ainda aos deputados que a primeira consequência da adoção do modelo cívico-militar nas escolas é que o diretor e os professores continuam os mesmos e podem dar continuidade aos programas normais. “O único que muda é a gestão. A gestão cívico-militar afasta o traficante da escola”, enfatizou.

Sem radicalismo, as famílias terem a opção de escolher a forma que acreditam ser ideal para educação de seus filhos é algo muito positivo.