Aulas presenciais retornaram nesta segunda (8), mas 15,2% das unidades continuaram fechadas

Das 5.300 escolas estaduais de São Paulo, 810 não puderam reabrir nesta segunda-feira (8), primeiro dia de aulas presenciais após quase 11 meses de portas fechadas por causa da pandemia do novo coronavírus, ainda em curso. Elas representam 16,5% de todas as escolas da rede estadual.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, 800 unidades não abriram por estarem em municípios que não autorizaram a volta das atividades presenciais. Outras 7 não abriram porque tiveram casos suspeitos ou confirmados de coronavírus entre professores e funcionários antes mesmo do início das aulas. Em 3 unidades as aulas não voltaram porque estavam com obras inacabadas, para corrigir problemas estruturais.

Elas representam 15,2% de toda a rede estadual. Para o secretário de Educação, Rossieli Soares, os casos são pontuais e serão resolvidos em breve. “Hoje é um dia muito significativo, é muito importante ver nossas escolas abrindo”, disse. Dos 645 municípios paulistas, 129 não autorizaram o retorno das aulas presenciais. Entre eles estão, por exemplo, as sete cidades do ABC. Os prefeitos decidiram que as escolas das redes municipais e estadual só podem reabrir a partir de 1º de março. As unidades particulares, no entanto, estão autorizadas a abrir a partir de 18 de fevereiro.

A decisão, segundo os prefeitos, levou em conta o calendário de vacinação. Eles argumentam que querem esperar até que parte da população mais vulnerável ao vírus já esteja vacinada. Há ainda municípios que decidiram por um adiamento ainda maior, como Santo Expedito, a 609 Km da capital paulista. O prefeito determinou que as aulas presenciais continuam suspensas até 24 de abril.

A Secretaria de Educação diz que vai tomar as medidas judiciais cabíveis para que as escolas possam ser reabertas. Soares já havia dito que vai cobrar dos prefeitos que apresentem dados epidemiológicos que justifiquem a decisão de não seguir as orientações do Plano São Paulo. Além das 3 escolas que não abriram por problemas estruturais, outras 64 estão em obras, mas receberam os alunos mesmo com consertos e adaptações em andamento. Ao longo do dia, o governo informou que estavam fechadas, mas a informação foi retificada.

Há ainda outras 49 escolas que reabriram nesta segunda mesmo com número insuficiente de faxineiros, de acordo com a pasta. Nessas unidades, houve problema nos contratos de limpeza. A secretaria diz que os diretores conseguiram achar soluções, como remanejar outros funcionários para atuar na limpeza.

Em 177 escolas estaduais também houve problema no contrato das merendas e as unidades abriram mesmo sem ter merendeiras. Segundo a secretaria, nestes casos será oferecida a merenda seca até que o problema seja resolvido. Apesar do protocolo de segurança, houve registro pontual de aglomeração de alunos. Vídeo gravado na frente da escola Monsenhor Gonçalves, em São José do Rio Preto, mostra uma fila de estudantes próximos uns dos outros em fila para entrar no colégio. Procurada, a Diretoria de Ensino de São José do Rio Preto disse que a escola cumpriu todos os protocolos de segurança e que a atenção no lado externo, enquanto os alunos entram, será reforçada, mas que não foi verificada aglomeração por parte dos alunos neste primeiro dia de aula.

CATEGORIA DEFENDE O RETORNO APENAS COM VACINAÇÃO

O primeiro dia de greve dos professores da rede estadual paulista teve baixa adesão da categoria nesta segunda (8). Segundo a categoria, cerca de 15% dos profissionais pararam. Já o secretário da Educação, Rossieli Soares, disse que a adesão foi quase zero. Os profissionais protestam contra a reabertura das escolas da rede estadual de São Paulo e defendem o retorno presencial após a vacinação. Já o governo estadual afirma que as escolas foram equipadas para que os protocolos de segurança sejam cumpridos e que o período estendido de aulas remotas tem resultado em lacunas de aprendizagem e problemas de saúde mental para crianças e adolescentes. A gestão Doria (PSDB) anunciou que o ponto dos grevistas será cortado.

POSIÇÃO DO CPP

Como entidade de classe que representa mais de 120 mil associados, o CPP se mantém firme na conclusão de que neste momento, de avanço da pandemia não apenas no Brasil, principalmente no estado de São Paulo, com hospitais à beira da lotação máxima, a reabertura de escolas é extremamente arriscada.

Embora o governo alardeie que as escolas foram equipadas com equipamentos de segurança sanitária, vários são os relatos de profissionais da comunidade escolar indicando o contrário. Há escolas sem itens de higiene básica, o que sempre foi realidade nas instituições públicas.

Momentaneamente, o direito à vida se sobrepõe ao direito à escola. Mesmo porque este direito tem sido ofertado remotamente. Aulas presenciais podem esperar até que a comunidade escolar se apresente imunizada, para o bem-estar de professores, estudantes e seus familiares.

Não à volta às aulas presenciais. E vacinação já!

Fonte: As informações são da Folha de São Paulo