Como o CPP já esperava, o Governo de São Paulo aprovou o Abono-Fundeb

Como era esperado pelo CPP, o Governo de São Paulo teve o projeto de abono-Fundeb aprovado na Assembleia Legislativa (Alesp). Os parlamentares concordaram, nesta quarta-feira (1º), com o Projeto de Lei Complementar 37/2021, que concede o Abono-Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) aos professores da rede estadual de ensino. A medida segue agora para sanção ou veto, total ou parcial, do governador João Doria.

Segundo a Lei 14.113/2020, que regulamenta o Fundeb, 70% do fundo devem ser voltados aos professores e 30% para despesas em manutenção e desenvolvimento do ensino. De acordo com o texto, de autoria do Executivo, essa concessão será feita em caráter excepcional. O abono terá o valor estabelecido por decreto e não poderá ser superior a 70,1% dos recursos disponíveis na conta estadual do Fundeb, relativos ao exercício de 2021. Segundo justificativa anexada ao projeto, devem ser destinados cerca de R$ 2,2 bilhões de reais para o pagamento. O documento diz ainda que o valor do abono não poderá ser superior a 50% da remuneração bruta anual do servidor.

Poderão receber o benefício docentes do Quadro do Magistério da Secretaria da Educação e professores com contrato temporário. Já estagiários da rede oficial de ensino e servidores que tenham frequência individual inferior a dois terços dos dias de exercício não terão direito ao abono.

Mensagem aditiva

Também foi aprovada junto à medida uma mensagem aditiva enviada à Casa Legislativa pelo governador João Doria. O documento adiciona ao texto do Projeto de Lei Complementar 37/2021 um ajuste à base de cálculo da gratificação “pro-labore” paga aos ocupantes da função de Gerente de Organização Escolar.

A gratificação, que atualmente é calculada mediante a aplicação do percentual de 50% sobre o valor da faixa 3, nível IV, Estrutura II, da Escala de Vencimentos – Classes de Apoio Escolar (EV-CAE), passará a usar como base a faixa 5 dessa mesma escala.

Modo de equiparação é criticado pelo CPP

O Centro do Professorado Paulista lamenta que o governo paulista só beneficie os professores quando forçado pela legislação em vigor. “Sem nenhum reajuste desde que tomou posse, nem mesmo da revisão salarial prevista na Constituição, o governo João Doria tem demonstrado todo o seu desprezo não para com os profissionais do magistério, mas sim para a educação dos nossos alunos”, diz Silvio dos Santos Martins, segundo vice-presidente do CPP.  Dessa maneira, concede um abono que tem significado paliativo e que pouco representa para os profissionais da Educação. Enquanto isso acontece, os professores aposentados são penalizados com um desconto extorsivo que lhes tira até 16% dos seus parcos vencimentos.

Já a professora Loretana Paolieri Pancera, primeira vice-presidente do CPP, alega que há um desrespeito por parte do governo João Doria com a categoria. Diversas solicitações foram feitas para resolver a questão salarial dos professores e profissionais da Educação e, até o momento, não houve discussão com ele. “Doria não se manifestou para sentar e negociar reajuste que cubra a inflação, hoje altíssima. Este governo deixa muito a desejar”, ressalta.

Deputados opinam

A deputada Professora Bebel (PT) disse que as verbas do Fundeb deveriam ser ajustadas ao salário de profissionais da Educação, da ativa e aposentados. “Nossa luta, portanto, continua. Já oficiamos ao secretário da Educação para que esse abono seja incorporado aos salários do magistério. De imediato, precisamos de um reajuste de 29.25% para que tenhamos a equiparação de nossos salários ao piso nacional”, afirma.

Para o deputado Carlos Giannazi (PSOL), outras classes profissionais deveriam receber esse pagamento. “Vários estados já incluíram servidores do Quadro de Apoio Escolar no Abono-Fundeb. Tem espaço na lei sim, basta o governo ter interesse”, contou.

O líder do governo na Alesp, deputado Vinícius Camarinha (PSB), por sua vez, explicou que futuramente outras categorias receberão o abono. “O governo está preparando a inclusão de outras categorias, dos agentes de organização escolar, além de categorias de outras secretarias”, sugeriu.

 

Quando e como será o pagamento do abono aos professores

O projeto aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) ainda precisa ser sancionado pelo governador. Só depois da publicação de um decreto para o pagamento do abono é que será divulgado o calendário de pagamento. O abono, no entanto, precisa ser pago aos professores até 31 de dezembro para que o governo estadual não enfrente problemas com órgãos de controle ou perca recursos da União.Veja como será o pagamento do abono aos professores em SP

Como será o pagamento?
O abono será proporcional à carga-horária semanal de trabalho dos profissionais e também proporcional aos meses de trabalho em 2021.

Em outubro, quando anunciou a bonificação, o governo divulgou uma tabela com os valores a serem pagos:

Carga-horária semanal    

12 horas      R$ 3.000

24 horas      R$ 6.000

30 horas      R$ 7.500

40 horas      R$ 10 mil

60 horas      R$ 15 mil

65 horas      R$ 16.250

Por que o pagamento de abono não é incentivado?

A bonificação não é incorporada aos salários dos servidores, ou seja, só será pago neste ano. Ela também não entra na conta para evolução de carreira ou cálculo da aposentadoria. Portanto, é vista como uma medida que não valoriza o salário dos profissionais da educação.