Pesquisa mostra que falta de estrutura, de funcionários e de acompanhamento na rede municipal são principais causas

 

Os profissionais da rede municipal de ensino estão adoecendo. Segundo a pesquisa Retrato da Rede 2014, divulgada pelo Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo), 77,1% dos entrevistados sofrem com alguma doença.

 

Os dados foram levantados por meio das respostas de 645 gestores educacionais que apontaram fadiga, cansaço e dor de cabeça como os sintomas mais comuns.

 

O professor, neste caso, é a maior vítima. “A vivência em sala de aula com muitas crianças, com a indisciplina e necessidades diferentes, acaba desenvolvendo problemas de saúde”, diz Orestes de Oliveira Netto, professor da rede estadual e gestor de uma escola municipal de ensino fundamental e médio. Os gestores (diretores, coordenadores e assistentes) também sofrem. “Cada escola apresenta necessidades que precisam ser ouvidas sistematicamente, o que não acontece”.

 

Para o presidente do Sinesp, João Alberto, a sobrecarga é um fator de peso. “Não há profissionais suficientes nas escolas. Isso faz com que um faça o trabalho por dois ou três. Fica difícil remediar a situação com a falta de estrutura, de profissionais e de acompanhamento dos órgãos competentes”, afirma.

 

A Secretaria Municipal de Educação informou ter adotado uma série de medidas, como o aumento de 13,43% nos salários de todos os profissionais, incluindo aposentados. O PDE (Prêmio de Desempenho Educacional) minimizou o peso das ausências por motivos de saúde, de 0,1 para 0,01. Além disso, até quatro faltas no ano não são computadas.

 

A pasta não informou o déficit de profissionais, mas disse que está em andamento concurso para contratação de 3.514 professores de educação infantil e ensino fundamental I.

Secom/CPP – fonte Sinesp