É bastante comum a preocupação com o nível da educação pública. Escolas públicas de bairros nobres passam a ser alvo, sendo chamadas de escolas “top” ou “escolas-padrão”. O poder aquisitivo da população acaba por determinar o padrão de todo e qualquer estabelecimento comercial, inclusive os de ensino. A família também tem peso grandes na educação, que não é obrigação apenas da escola. As condições didática e pedagógicas são relevantes, mas o resultado final ou a eficácia do trabalho da educação só faz sentido quando aplicadas ao indivíduo bem constituído em princípios e valores morais. O resultado está no ser humano.

 

Não há, nesse sentido, escola melhor ou pior por estar na zona Norte, Sul, Centro, Leste ou Oeste. Isso porque as famílias estão como sustentação da criança, em qualquer região de qualquer país, em todos os continentes. O que houve foi um afastamento provocado pela vida moderna. Ao longo de um século o pão era produzido pela dona de casa. Cabia a ela acompanhar todo o processo até que o pão saísse do forno e fosse apresentado à mesa. Nessa mesa, reunia-se a família. Nesse momento a educação dos filhos ou falta dela era visível. E sempre à mulher era atribuída a responsabilidade dos gestos de cada criança. A dona de casa era presente porque aceitava a condição de estar em casa. Mas hoje o pão é industrializado, da mesma forma que é educada a criança. Ambos formados pela máquina.

 

Ainda temos o agravante e ausência da dona de casa que, em busca de sua profissão para ajudar o sustento da família, ainda carrega no peito o conflito interior causado pelas cobranças do mundo capitalista. O pão está saindo bem melhor, pois alimenta o homem. Não há, em todo esse processo, um culpado nessa história. Nem tampouco uma escola que substitua a base da educação, que deve vir de casa.

Por Alzira Jorri Tomei é professora de Sociologia na Universidade Nove de Julho

Secom/CPP