
Entidade pedirá a Tarcísio de Freitas para considerar nomes que conheçam os desafios da área no estado de São Paulo
Na última sexta-feira (4), o jornal Folha de S.Paulo publicou uma reportagem sobre o possível secretariado de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a partir de 2023. Especula-se que o governador eleito avalie indicar nomes de outros estados para a Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP).
Um deles é o atual secretário de Educação do Paraná, Renato Feder; e outro, o ex-deputado Thiago Peixoto, que desempenhou a mesma função em Goiás e é filiado ao PSD de Gilberto Kassab, um dos principais articuladores da campanha de Tarcísio.
A Folha relata que o governador eleito tem mostrado preocupação com o que “encontrou nas escolas paulistas”. Ele teria conversado com pessoas da área sobre estar incomodado com falta de professor na rede de ensino e problemas de implementação do novo ensino médio. Goiás e Paraná apresentam resultados positivos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), superiores aos de São Paulo, o que pesaria na escolha da chefia para a área no estado.
A especulação contrasta com os planos de governo de dar continuidade às principais políticas públicas paulistas atualmente em vigor. Para o ano que vem, vale lembrar, a Secretaria da Educação receberá investimento de R$ 49 bilhões, segundo proposta orçamentária enviada à Assembleia Legislativa do Estado (Alesp).
Posição do CPP
A presidente do CPP, Loretana Paolieri Pancera, reagiu à notícia. Em sua avaliação, a Seduc-SP é uma das principais pastas do Governo do Estado, responsável pelo desenvolvimento de cidadãos paulistas, o que exige liderança com conhecimento dos desafios do estado.
“Não podemos aceitar, de maneira nenhuma, uma gestão que desconheça as peculiaridades das escolas de nosso estado, as dificuldades dos professores, da ativa e aposentados, enfim, a realidade local”, afirma.
A rede de ensino paulista é gigantesca. Conta com 91 diretorias de ensino, mais de 200 mil professores e mais de 3,5 milhões de alunos. A partir disso, a entidade enxerga como fundamental a indicação de profissionais com experiência regional.
“Temos diversos profissionais com excelente currículo para liderar a Educação paulista. Precisamos de pessoas conectadas com o ensino e os problemas do estado mais rico da federação. Os obstáculos são imensos, do tamanho da maior rede de ensino do Brasil. Por isso, nossa educação não pode ser negociada como moeda de troca por favores políticos”, ressalta Loretana.
O CPP vai acionar as demais entidades do magistério (Apase, Apampesp, Apeoesp, Udemo e Afuse) para discutir a questão. A expectativa é que, juntas, organizem uma carta aberta ao governador de São Paulo com solicitação objetiva: um paulista para comandar a educação estadual

Com certeza será alguém de agrado de Bolsonaro.