
A professora Patrícia Souza, 47 anos, da Escola Estadual Ermano Marchetti, na Parada Inglesa, faleceu no Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME). Ela estava na fila de cirurgia para endometriose e chegou a ser internada no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE).
A equipe médica do hospital, vinculado ao Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público (Iamspe), deu alta para a docente e um atestado de dois dias. No entanto, Patrícia, que estava bastante debilitada, foi obrigada a procurar atendimento médico em outro local para prorrogar seu afastamento.
Na última terça-feira (8), a professora foi realizar a perícia médica sem se sentir bem. Após o quadro se agravar, foi encaminhada para a Santa Casa de Misericórdia, no centro, mas, segundo familiares, veio a óbito logo depois. Patrícia morreu na fila do DPME, o que evidencia o sucateamento do Iamspe.
“Estarrecedor ver nossos colegas professores, que, além de se dedicarem ao trabalho em condições muitas vezes precárias, contribuem com um sistema de saúde ineficiente. Não podemos aceitar tanto descaso. Devemos reivindicar melhorias para o Hospital do Servidor com urgência”, afirma Laismeris Cardoso de Andrade, secretária geral do CPP, diretora da Sede São Bernardo do Campo e presidente da Comissão Consultiva Mista Municipal do Iamspe na região do ABC. Ela ressalta ainda que os servidores públicos, são profissionais essenciais em todas sociedades, e precisam ter da Administração Pública, a garantia na preservação de sua saúde. “Hoje presenciamos que esta garantia não existe. Que a saúde de uma servidora não foi protegida, conforme fato lamentável que se segue”, conclui.
O HSPE tem sofrido há anos com ajustes econômicos de diferentes gestões no estado de São Paulo. As entidades de classe denunciam a situação caótica com frequência.
PROBLEMAS GENERALIZADOS
Diversos servidores enfrentam problemas semelhantes. Pessoas operadas com doenças infecciosas e em recuperação de cirurgias são obrigadas a participar de perícias médicas nos momentos mais críticos de seu estado de saúde. Sem contar que, muitas vezes, as licenças são negadas.
O servidor tem o prazo de 48 horas para apresentar atestados, e as perícias são marcadas de imediato, independente da gravidade da doença.
NOTA DO IAMSPE
Em nota o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) lamenta o falecimento da senhora Patrícia de Souza e se solidariza com a família. As equipes médicas do HSPE estão à disposição dos familiares para prestar todos os esclarecimentos necessários.
O HSPE informa que a paciente fazia acompanhamento e exames de rotina no ambulatório de ginecologia desde junho de 2019. Em julho de 2022, a senhora Patrícia passou em consulta no ambulatório de urologia e teve o diagnóstico de infecção urinária. Ela também foi encaminhada ao serviço de ginecologia com suspeita de endometriose, que foi diagnosticada em setembro de 2022, e deu prosseguimento ao tratamento em ambas as especialidades.
Em 29 de outubro de 2022, a paciente deu entrada no pronto-socorro da unidade com queixa de dor abdominal aguda e foi realizada a passagem de Duplo J (procedimento clínico composto de um cateter fino flexível utilizado para assegurar o fluxo de urina entre o rim e a bexiga). A paciente teve alta hospitalar em 30 de outubro. Em 3 de novembro de 2022 passou em consulta no ambulatório de ginecologia sem queixas e com agendamento cirúrgico de endometriose para 12 de dezembro, o qual era previsto para ser realizado em conjunto com as equipes de ginecologia e urologia.

Ta na hora dos sindicatos acionarem a justiça contra isso que está ocorrendo no HSPE e no DPME. PELO AMOR DE DEUS inclusive dando apoio juridico aos servidores.
CPP: encaminhado à Comissão Consultiva do Mista do Iamspe a qual o CPP faz parte.. Aguarde retorno por e-mail.
Era minha prima. Foi um baque para toda família e amigos.
Lamentável ver uma mulher morrer por endometriose. Sem traramento devido por especialistas na doença, absurdo essas perícias, falta de bom senso nos prazos.
Uma vergonha, uma barbaridade, colocarem pessoas que estão em seus piores momentos de saúde em situações como essa. Essa senhora poderia estar viva, imagino tudo que ela estava sentindo ainda ter tanto estresse para passar por isso. Nota zero pro médico que deu alta pra ela.
O mais grave é que ainda pagamos por um péssimo serviço de saúde como este, o desconto no holerite é sagrado, todo mês está lá. Lamentável.
Triste… morrer de endometriose em pleno século 21, professor só sofre qdo adoece, se falta médicos no Iamspe contrata, é tanto dinheiro q esse hospital recebe , quase perdi meu filho lá em 2014 , uma gravidez de 09 meses e eles me mandavam para casa, tive um parto traumatizante de emergência no SUS, o SUS é bom o parto normal q não era previsto por motivo de hérnia umbilical foi muito doloroso.