Principais casos de violência são agressões verbais, ameaças, vandalismo e constrangimento
Os professores comemoram o seu dia na próxima quarta-feira (15/10), mas, segundo os próprios profissionais, há muito pouco para festejar. Uma pesquisa feita pelo Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo com 645 gestores educacionais contratados pela prefeitura revela uma ‘piora das condições de trabalho ao longo dos anos, situação que degrada aos poucos todo o quadro funcional’ da rede.
Além do fato de mais de 90% dos profissionais da educação relatar problemas de saúde, o levantamento ‘Retrato da Rede’ mostra também outro lado preocupante: 71,67% dos entrevistados classificam seu local de trabalho como inseguro. E esse número só aumenta.
Em 2013, o primeiro ano em que a pesquisa foi realizada, o índice era de 66%. Os principais casos de violência indicados pelos profissionais de ensino foram agressões verbais (22,47%), ameaças (14,88%), vandalismo (13,24%) e constrangimento (13,12%). professores (28,1% das respostas), gestores (20,1%) e funcionários (20,1%) são as principais vítimas. Para 44,7% dos entrevistados, falta vigilância e policiamento no entorno das escolas. Outros 46,3% responderam que o entorno escolar é onde se localiza a fonte de insegurança e violência.
Apenas 16,5% das unidades pesquisadas possuem serviço de vigilância. Mesmo assim, desse percentual mínimo, em 54% das escolas, o serviço é terceirizado. Em 79,9% dos estabelecimentos de ensino não existe plantão da Guarda Civil Metropolitana. Nada menos do que 77,8% dos profissionais afirmam que a Prefeitura não ofereceu no último ano algum projeto direcionado para enfrentar ou prevenir a violência.
As agressões verbais também se espalham por toda a rede, sem distinção de bairro ou classe social. Na Penha, na Zona Leste, é onde há o maior número de relatos desse tipo de violência: 29,78% dos entrevistados disseram já ter sido alvos de xingamentos. O índice, no entanto, é parecido em São Mateus, também na Zona Leste (25,86%), na Capela do Socorro, na Zona Sul (25%), e no Butantã, na Zona Oeste (24,59%).
“O que se pode afirmar com segurança é a ausência de cuidado com os profissionais da rede de ensino da capital paulista. Cuidar é assistir, ou seja, acompanhar. É o primeiro passo da assistência é a presença. Não bastam normas e monitoramento, ações exteriores à prática escolar”, concluiu o levantamento.
Comissão de Educação da Câmara vai usar dados no PME. O levantamento foi entregue em setembro para a Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Câmara, que discute um novo PME (Plano Municipal de Educação). Segundo o relator da comissão, vereador Reis (PT), a pesquisa vai balizar o projeto. “Dentro das audiências estão sendo discutidas questões de valorização profissional, das condições de trabalho e da estrutura. Após essas audiências vamos conseguir ter um diagnóstico melhor do que realmente acontece na rede”, disse o parlamentar.
A Secretaria Municipal de Educação informou, em nota, na época da divulgação dos números, que vem adotando uma série de medidas visando à valorização do magistério e à melhoria na qualidade da educação. A pasta ressalta reajustes salariais e ganhos nos subsídios dos docentes, além de investimentos na formação dos professores. Há projetos para ampliar a presença da Guarda Civil Municipal na porta dos estabelecimentos de ensino.
Secom/CPP
