Alunos da rede pública perderam transporte e lanche e Câmara de Ribeirão Preto não entregou vale-livro
A Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, no interior São Paulo, completa 15 anos em 2015, mas não ganhou presentes. Na verdade, para o evento ocorrer, os organizadores precisaram economizar porque os investimentos públicos e privados caíram 60% nesta edição que começou no último dia 14 e termina no próximo domingo (21).
Quem mais sentiu o corte foram as crianças. Enquanto os governos federal, estadual e municipal fazem campanhas incentivando a leitura, os alunos da rede pública de ensino perderam incentivos para comprar livros, além do transporte e do lanche. Esses gastos eram custeados pela Câmara Municipal e pelo governo do estado, que simplesmente decidiram não fazer os investimentos este ano.
A quinta maior feira do tipo no país sempre contou com parceiros públicos para ser realizada. O Legislativo municipal, por exemplo, custeava o “Cheque-Livrinho”, recurso para que cada um dos alunos pudesse comprar os títulos de seu interesse.
O governo estadual, por sua vez, disponibilizava o dinheiro para a locação de ônibus para o transporte dos estudantes até o evento, além do lanche. Sem dinheiro, os organizadores pediram para os pais ou para a própria escola arrumar um jeito de levar a criança para visitar a feira. A explicação da administração Geraldo Alckmin foi que o estado entregou milhares de livros à escolas e entendeu não ser necessário manter o investimento na feira.
A Assessoria da Feira Nacional do Livro lembrou que o orçamento do evento, em 2014, foi de R$ 3, 6 milhões. Este ano o valor caiu para R$ 1,5 milhão. A Prefeitura de Ribeirão Preto destinou R$ 600 mil para organização. Metade desse valor foi para o Cartão-Livro, um auxílio entregue aos diretores das escolas para aquisição de exemplares para as bibliotecas dos colégios. A organização ainda contou com aportes da Lei Rouanet, para incentivo cultural, e patrocinadores.
Em nota, a assessoria de Geraldo Alckmin, disse que durante o processo para repasse financeiro à Feira Nacional do Livro de Ribeirão preto um parecer da sua consultoria jurídica, alinhado às recomendações do Tribunal de Contas do Estado, foi contrário à distribuição de recursos para o evento, entendendo que já há um investimento constante do Estado na distribuição de livros aos estudantes. “Somente em Ribeirão preto e região foram 311,6 mil títulos para leitura aos alunos da rede, grande parte deles para auxiliar os alunos a montar suas próprias bibliotecas”, informou a secretaria. “Cabe destacar que o incentivo às atividades da feira, como a participação nos concursos, foi mantido aos estudantes de todas as 107 escolas estaduais da diretoria de ensino de Ribeirão preto”, finalista a pasta.
Já a Câmara Municipal de Ribeirão Preto informou, também em comunicado oficial, que sempre apoiou “de forma efetiva” a Feira do Livro, “um dos mais importantes eventos culturais do município”. Porém, este ano, devido ao projeto de construção de um anexo ao prédio do Legislativo, não houve dotação orçamentária para esse fim. “O prédio da Casa, inaugurado em 1991, não atende mais às necessidades do Legislativo que cresceu na proporção da população da cidade e precisa de ampliação”, afirmou a assessoria.
Secom/CPP – as informações são do Diário de São Paulo
