Mônica de Araújo
O gesto é memorável. Cafu, após a conquista da Copa do Japão e Coréia do Sul, emocionou-se, levantou a taça e fez uma declaração de amor à sua esposa Regina, e, na sequência, mostrou a sua camisa com a inscrição “100% Jardim Irene”. O mundo aplaudiu de pé.
Marcos Evangelista de Moraes fez história no futebol tornando-se o craque e capitão do pentacampeonato mundial do Brasil após superar obstáculos e se tornar exemplo de garra e perseverança. Foi o único jogador brasileiro a atuar em três finais de Copa do Mundo.
O Portal CPP foi conhecer de perto esse trabalho impecável que proporciona, o ano inteiro, um atendimento sócioeducativo para cerca de 630 crianças e jovens de baixa renda com idades entre 4 a 17 anos, e praticamente 300 pessoas acima de 18 anos, por meio de cursos profissionalizantes.
Cafu foi muito além das quatro linhas. Fiel às origens onde viveu deste a infância. No mesmo ano em que o Brasil foi pentacampeão, abriu as portas da Fundação Cafu – com o projeto “Alimentando Sonhos”, um time em que todos são craques na inclusão social e no apoio educacional. Na liderança está Marcelo Evangelista de Moraes, irmão mais velho de Cafu. Silvia Abranches é a diretora. À frente da coordenadoria pedagógica está Daniele Jesus, e Flávia Alves é a coordenadora social.
“Seguimos duas linhas com abordagem socioconstrutivistas, Piaget e Paulo Freire, porque acreditamos na linguagem do cotidiano que enfatiza a importância do autoconhecimento e da educação baseada na experiência de cada aluno. Trabalhamos com dois faróis do período complementar ao período escolar. Um deles são as oficinas esportivas, como basquete e futebol, além de balé e aulas de instrumentos musicais que são estratégias para que os alunos cresçam com valores determinantes como responsabilidade, disciplina e sociabilidade.
O outro ponto é o itinerário pedagógico. Para o sucesso dessa empreitada, contamos com uma equipe oficial composta por 20 colaboradores, 8 educadores, 8 voluntários e 12 administradores”, explica Daniele Jesus.
Todas as oficinas são exemplares. Entretanto, o Coral da Fundação Cafu se destaca com 40 vozes de alunos entre 8 e 17 anos. A turma esbanja talento. Em 28 de outubro, o coral cantou, em japonês, para o príncipe e a princesa do Japão, no Hospital Santa Cruz. Tamanha foi a perfeição da execução da música “Hawana Sokuri” (as flores crescerão), que a princesa acompanhou com voz.
O futebol, paixão dos alunos e orgulho das famílias que contam com o apoio de um dos maiores nomes da seleção pentacampeã, acontece aos sábados, das 8h às 20h.
Cafu, em entrevista à revista Trip, traduziu a importância da Fundação em proporcionar, por meio da educação, tantas oportunidades a centenas de brasileirinhos que, como ele, alimentam o sonho de ser feliz.
“Queria, também, mostrar para as crianças e para os meus amigos do Jardim Irene que, mesmo longe eu nunca iria fugir das minhas origens. Mostrar para eles que Deus me deu a oportunidade de ter uma outra condição de vida. E que essa condição de vida outros poderiam ter também se trabalhassem e seguissem o caminho certo. Acho que na época em que eu morava aqui, se nós tivéssemos uma fundação dessa, em que você pudesse vir, ter aula de inglês, reforço de português, pudesse ter uma biblioteca, uma brinquedoteca, curso de cabeleireiro, quadra poliesportiva, eu não teria perdido tantos amigos da maneira como perdi. Porque, realmente, nós não tínhamos oportunidade, e a falta de oportunidade faz com que você faça besteira”.
O Jardim Irene, na zona sul da zona cidade, pertence ao Capão Redondo, um dos 96 distritos da capital paulista. O bairro, na periferia, atualmente ocupa o 82º lugar no ranking da exclusão social.
Acesse o site e conheça a Fundação Cafu, localizada Rua Alves de Souza, 65 – São Paulo/SP. Telefone: (11) 5821-6786.
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