Protestos de estudantes contrários à Reorganização Escolar, realizados na capital paulista entre ontem (1º) e hoje (2), acabaram em repressão policial. Na noite desta terça-feira, um grupo de jovens bloqueou os dois sentidos da Av. Nove de Julho, na região central de São Paulo, por volta das 18h30. A Polícia Militar, corporação do governo do estado, fez uso da força, lançando bombas de efeito moral e spray de pimenta, para dispersar o grupo. Nesta quarta-feira, o conflito foi registrado na Av. Doutor Arnaldo e terminou com detenções.

 

Dois estudantes e dois maiores de idade foram presos pela manhã. Segundo a assessoria de imprensa da PM, o motivo foi resistência e desobediência. Os policiais teriam retirado as cadeiras utilizadas pelos estudantes para fechamento das vias, o que iniciou o tumulto. A ação teve respaldo da Secretaria de Segurança Pública (SSP). À tarde, em entrevista ao G1, o secretário Alexandre de Moraes disse que a polícia continuará impedindo o fechamento de vias principais e que não houve excesso da corporação.

 

Os estudantes, entretanto, relatam truculência na abordagem, com uso de cassetetes e força física. O estudante Francisco Mussatti Braga, de 16 anos, foi detido e afirmou que levou chutes e socos dos policiais. Vídeos circulam nas redes sociais com imagens fortes de repressão, tanto em manifestações de rua quanto em ocupações de escolas. Em um deles, um policial se dirige aos estudantes com palavras de baixo calão. As imagens podem ser conferidas aqui.

 

Ao buscar o jovem Francisco na delegacia, o pai apoiou o protesto. “Eu seria contra o meu filho se ele tivesse cometido algum crime, se fosse racista, machista ou violento. Mas ele estava no direito democrático de protestar e foi impedido pela polícia”, disse à imprensa.

 

Os protestos em avenidas da capital paulista avançaram depois da publicação do decreto que oficializou a Reorganização Escolar, nesta terça-feira (1º). Até então, os estudantes mantinham ocupações de escolas, que permanecem em mais de 200 unidades de ensino. Os jovens afirmam que não vão recuar. O governo de Geraldo Alckmin, contudo, diz estar aberto ao diálogo, embora não tenha apresentado alternativas para o impasse até o momento.

 

Secom/CPP