Estudo mostra estabilidade nos índices desde 2018 e mostra impacto da desigualdade social e da exclusão digital na capacidade de leitura, escrita e uso da tecnologia no dia a dia

A exclusão digital segue como um dos principais reflexos e reforçadores da desigualdade social no Brasil, segundo dados do novo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf 2024), divulgado no mês de maio.
O estudo revela que 29% da população entre 15 e 64 anos ainda enfrenta o analfabetismo funcional — e grande parte desse grupo também demonstra dificuldades significativas no uso básico de tecnologias digitais.
Especialistas ouvidos pela reportagem da Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação), publicada em 5 de maio, alertam para os riscos dessa exclusão, especialmente em um contexto em que a vida cotidiana e o mercado de trabalho exigem cada vez mais habilidades digitais.
Eles reforçam a necessidade de políticas públicas que integrem a alfabetização digital às iniciativas educacionais, como a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que vem enfrentando queda nas matrículas.
Pela primeira vez, o Inaf avaliou habilidades relacionadas ao ambiente digital, como compras online e uso de aplicativos. Os resultados revelaram que 95% das pessoas consideradas analfabetas não conseguiram executar tarefas digitais simples.
Mesmo entre os jovens de 15 a 19 anos, 61% falharam ao tentar realizar uma simulação de compra pela internet, evidenciando que a familiaridade com dispositivos não garante competência funcional no uso da tecnologia.
A pesquisa, realizada pela ONG Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social, em parceria com instituições como Fundação Itaú e Fundação Roberto Marinho, aponta que a exclusão digital atinge com mais força pessoas com menor renda, baixa escolaridade e idade mais avançada — ampliando o abismo já existente em termos de acesso à informação e oportunidades.
Como resposta, o Ministério da Educação lançou o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo em 2024, com o objetivo de qualificar a EJA e enfrentar tanto o analfabetismo funcional quanto a exclusão digital — pilares fundamentais para garantir a cidadania plena e a inclusão social no século XXI.
