Atualizado em 30 setembro, 2025 às 10:56

No estado de São Paulo, 30% dos municípios não cumpre o valor-base

Foto: Envato

Publicado nesta quarta-feira (25), o Anuário Brasileiro da Educação Básica revelou que um em cada três municípios brasileiros pagou menos que o piso da categoria para os professores da rede pública em 2023.

A pesquisa feita pelo Todos pela Educação, em parceria com a Fundação Santilha e a Editora Moderna, aponta que no estado de São Paulo 70% das cidades pagavam pelo menos o piso, que na época era de R$ 4.420,44.

Com esse percentual os paulistas estão atrás de estados como Alagoas, Santa Catarina, Pernambuco , Bahia, Amazonas, Pará e Maranhão.

Já os estados brasileiros em que mais de 90% das cidades que pagam ao menos o piso dos professores são: Ceará (98,10%), Piauí (93,80%), Mato Grosso do Sul (91,30%) e Rondônia (90,20%).

Apesar disso, nenhum estado da federação tem 100% dos municípios pagando o valor-base da categoria.

De 2023 para 2025 o piso nacional do magistério aumentou, e atualmente é de R$ 4.867,77 para docentes com uma jornada de 40 horas semanais.

A análise feita pelo Todos pela Educação é que o impacto dessa desvalorização dos professores pode ser visto diretamente na qualidade do ensino. 

A Lei do Magistério, que prevê o reajuste salarial, tem seus critérios questionados judicialmente por municípios, o que prejudica diretamente os professores.

Além de não serem remunerados adequadamente, os docentes lidam com outros problemas estruturais evidenciados pelo Anuário: desigualdade socioeconômica e falta de estrutura básica.

Isso sem falar da violência escolar, com índices crescentes na última década.

Silvio dos Santos Martins, presidente do CPP, comentou os resultados do Anuário Brasileiro da Educação Básica:

“Mesmo em São Paulo, estado mais rico da Federação, temos grandes problemas e desafios enfrentados diariamente por nossos professores. Aqui, por exemplo, em ao menos 30% dos Municípios não se paga o piso salarial para nossa categoria. O curioso é que, enquanto alguns secretários, do alto de seus gabinetes, estão querendo discutir a tecnologia dentro das escolas, a realidade é que eles não conseguem nos entregar nem o básico!”.