Atualizado em 30 setembro, 2025 às 15:59

Foto: Thiago Tasso

Estamos vivendo um verdadeiro apagão de professores. Até 2040, o Brasil deve enfrentar um déficit de até 235 mil docentes na educação básica. Essa projeção, feita pelo Instituto Semesp e divulgada pela Agência Brasil, acende um alerta que não pode mais ser ignorado.

Sabe o mais assustador? Não é difícil entender por que a carreira docente se tornou tão pouco atrativa para os jovens que ingressam no Ensino Superior.

Salários baixos, risco de violência em sala de aula, falta de valorização e de plano de carreira, além de problemas estruturais nas escolas, estão entre as principais queixas dos profissionais da área.

Ser professor virou um verdadeiro dilema. Se já é difícil atrair novos interessados, manter os que estão na profissão é um desafio ainda maior.

Uma pesquisa recente do mesmo instituto, realizada em 2024, ouviu professores das redes pública e privada, do ensino infantil ao médio, em todas as regiões do Brasil.

O resultado é alarmante: 79% desses docentes já pensaram em abandonar a carreira. Quando o assunto é o futuro profissional, 67% relatam sentimentos como insegurança, desânimo e frustração. Na prática, é como se 8 em cada 10 professores da educação básica já tivessem cogitado desistir.

Mas esse cenário não precisa ser definitivo. Entidades de classe, como o CPP, estão se levantando com força para transformar essa realidade. Estamos cobrando da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e de outros órgãos governamentais melhores salários, condições dignas de trabalho e políticas públicas que devolvam o respeito e o brilho à profissão docente. Estamos empenhados em mostrar que a mudança é possível.

Por isso, fica aqui um convite: não desista.

Professores, estudantes e a sociedade precisam estar juntos para fortalecer essa luta. Com união, mobilização e pressão coletiva, podemos virar esse jogo e devolver aos professores o entusiasmo que sempre moveu sua vocação.


*Silvio dos Santos Martins é presidente do CPP