Atualizado em 16 outubro, 2025 às 13:05

Foto: Envato

Nossa função não deixa alternativa. Ou entramos na sala de aula na hora exata, minuto certo, e trabalhamos ininterruptamente com a classe ou faltamos a escola e perdemos o dia. 

Há atividades profissionais em que é possível adiar, no todo ou em parte, ou pelo menos, interromper, por pouco tempo que seja, a execução da tarefa de qualquer dia. Mas a nossa é inadiável. Não pode ser interrompida nem por pouco tempo. Tem que ser executada, sob rigor do relógio. Aqui e Agora. 

A quê ou a quem pode interessar a exaustão eventual que nos abate? Há uma classe à nossa espera. Não pode ficar para depois. Tem que ser agora. Seria bom parar um pouco. Tomar um café, dar um dedo de prosa. Seria, mas não dá.

Ao entrar na sala de aula, nos transfiguramos. No desempenho deste trabalho, estamos descarregados das falhas, dos defeitos, e até das contingências socioeconômicas. Aquelas que não criamos, mas das quais podemos fugir.

A matéria-prima, deste nosso trabalho, através do qual nos realizamos e nos sobrepomos, não é madeira nem couro, não é papel nem fibra vegetal, não é ferro, não é ouro. É muito mais que tudo isso: a natureza humana da criança e do jovem. Assim essa matéria prima preciosa, o nosso privilégio é trabalhar com o futuro.

É nossa glória… A despretensiosa glória sem bravura, sem esplendor e sem soberba.  A glória silenciosa da semeadura. Tão cheia de carências, a glória pessoal nossa de cada dia e a satisfação interior que nos mantém de pé, custe o que custar. Com a esperança de quem trabalha com o futuro e a responsabilidade que caracteriza o nosso trabalho e da qual não abrimos mão. 

Nós, Professores.

*Laismeris Cardoso de Andrade é terceira vice-presidente do Centro do Professorado Paulista