As pesquisas internacionais que frequentemente são publicadas nos periódicos procuram fazer um retrato da educação em vários países e quase sempre o Brasil acaba entre aqueles que apresentam os piores índices. Desta vez o tema foi indisciplina na sala de aula e novamente o descrédito com a educação brasileira ficou evidenciado.

 

De acordo com as informações da edição 2013 da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, coordenada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), os professores brasileiros gastam, em média, 20% do tempo de aula mantendo a disciplina na classe. Isso significa dizer que, de cada cinco minutos, um é dedicado aos apelos do docente pedindo silêncio ou chamando a atenção dos alunos por bagunça em sala de aula. Na comparação com os outros 32 países pesquisados no mesmo levantamento, o Brasil foi o pior deles. A média do tempo perdido por indisciplina dentre as nações foi de 13%.

 

A aula mesmo, segundo a pesquisa, o professor brasileiro dedica apenas 67% do tempo. A Finlândia, que liderou o ranking, chega a 81%. Os brasileiros gastam muito tempo também com questões administrativas durante a aula (12%), como o controle de presença, por exemplo, contra a média de 8% dos países que participaram do estudo. Os dados são alarmantes, já que a indisciplina presente nas escolas interfere diretamente no conteúdo, na didática e na aprendizagem dos alunos. Menos tempo de estudo significa menos aprendizado e é o que vemos diariamente em nossas escolas.

 

A disciplina é uma virtude que se adquire desde a infância em casa com os pais e vai se aperfeiçoando no ambiente da escola. Sem ela, desperdiça-se muito tempo para a realização das tarefas cotidianas, o que implica muitos problemas no trabalho. Professores e alunos poderiam, portanto, beneficiar-se da redução no tempo gasto com a manutenção do clima adequado para a aprendizagem.

 

É preciso que os educadores proponham soluções para reduzir a indisciplina que se somam a tantos outros problemas educacionais, como a baixa remuneração dos professores, os currículos obsoletos e a falta de material didático adequado, dentre outros pontos que atrapalham as estatísticas e derrubam cada vez mais a qualidade do ensino.

Por Luiz Gonzaga Bertelli é presidente-executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História -APH e Diretor da FIESP

Secom/CPP