A grande estrela da campanha eleitoral em curso é a escola em tempo integral, promessa presente em quase todos os programas dos candidatos à Presidência da República e ao governo do Estado. Embora seja um modelo de eficiência já testado e aprovado, certamente não será a panaceia de todos os males do ensino público brasileiro. Até porque, há problemas mais urgentes a serem tratados antes de, simplesmente, se pensar na mudança do sistema de ensino vigente. Combater a violência no universo escolar, por exemplo, é uma obrigação do poder público há muito negligência.

 

O que no passado não passava de indisciplina, repentinamente ganhou um caráter de agressão. Em 2206, o sindicato de classe e o Dieese realizaram a primeira pesquisa sobre a violência nas escolas. Entre os quase 700 professores que responderam a pesquisa, 96% admitiram que a agressão verbal era o tipo mais comum de violência, segundo por 88,5% que apontaram vandalismo e por 82% que alegaram agressão física. Nos últimos anos, a escalada de violência fez as escolas ganharem as páginas policiais, a tal ponto de já não ser mais razoável creditar tudo no conformismo da fatalidade.

 

Um diagnóstico mais preciso e elaborado, com a participação de todos os envolvidos, certamente mostrará que assumir a responsabilidade pela educação das novas gerações é o grande desafio que o Brasil tem pela frente. Um bom caminho é passar a reconhecer a necessidade de tratar o problema da violência nas escolas como uma questão social e não mais como, simplesmente, um caso de política, como a maioria dos governos das grandes cidades faz.

 

Nesse processo também é importante reforçar a segurança e aumentar o patrulhamento fora da sala de aula, no entorno das escolas. A ausência do poder público é um convite à ação do crime organizado. Se há mesmo um consenso que a educação e o caminho para inclusão social, não basta instalar escolas no meio de espaços urbanos conflagrados pelo crime. Para que a escola cumpra seu papel transformador, é preciso garantir um mínimo de segurança a professores e alunos.

 

Como mostra a reportagem publicada ontem (29/9), no jornal Diário de São Paulo, há falhas preocupantes no combate à violência. Maior prova disso é que um mês após a morte de um professor de Sociologia na porta da Escola Estadual Professor Evandro Esquível, na Vila Nogueira, o clima de tensão ainda predomina. A região onde fica a escola teve um aumento de 81% no índice de roubos em geral, o que tem levado alunos e professores a só se deslocarem em grupos pelas ruas do bairro, com medo de ataques de bandidos. A ronda escolar, que poderia inibir a ação dos marginais, é praticamente inexistente e não cumpre seus objetivos. Já é hora de mudar esse quadro.

Editorial publicado pelo jornal Diário de São Paulo nesta terça-feira (30/9).

Secom/CPP