Helena Machado Albuquerque

Na teoria, se houver escolas com um único ciclo os professores e funcionários vão poder dar mais atenção aos alunos de uma faixa etária mais homogênea, o que é bastante positivo. Entretanto, é preciso analisar uma série de situações.

 

A primeira é que, em geral, os alunos de escolas estaduais são carentes, os pais não têm condições de contratar babás nem empregadas. Então, é o irmão mais velho quem leva o mais novo à escola. Isso pode ser desfeito com a reestruturação da rede. A segunda é que já há grupos afetivos formados. Assim, alunos, professores e funcionários, amigos e colegas de trabalho, vão acabar sendo separados a contragosto.

 

A terceira é a necessidade de haver um diálogo muito contundente com os municípios para que aqueles com maior demanda do que oferta transformem seus prédios ociosos de escolas estaduais em creches. Por fim, é importante frisar o mais importante: para realizar essa reorganização é preciso diálogo também com a comunidade e com todos os demais afetados pela reforma.

 

Helena é professora da Faculdade de Educação da PUC-SP