Editorial
O governo de São Paulo anunciou que vai fechar 94 escolas estaduais. Só na capital devem ser 25. Ao todo, pouco mais de 300 mil alunos serão transferidos para outra unidades. A Secretaria da Educação lembra que o número de estudantes tem diminuído muito. Desde 1998, a rede pública do Estado perdeu 2 milhões de jovens. Hoje são 3,8 milhões de alunos. Por essa razão, o governo quer melhorar o uso de seus prédios, criando mais escolas de segmento único (colégios dedicados a determinadas faixas etárias).
Segundo as pesquisas, elas oferecem um ensino melhor do que as escolas que têm mais de um nível de ensino. Só que o governo explicou muito mal essa história. Ninguém sabia de nada. No começo, falava-se que muitos estudantes teriam de ser transferidos para lugares distantes. Diziam que a mudança poderia afetar até 2 milhões de alunos!
Resultado: uma baita confusão, com protestos de professores, estudantes e pais. A Secretaria da Educação diz que não mudou seus planos por causa da enxurrada de críticas ao governador Geraldo Alckmin (PSDB). O governo agora sustenta que a reorganização será feita aos poucos.
No final das contas, as escolas de segmento único passarão de 1.443 para 2.197, num total de 5.147 colégios. A medida permitirá que 2.956 salas de aula que hoje estão desocupadas voltem a ser utilizadas. Essa é uma chance para diminuir a superlotação de classes e expandir o ensino em tempo integral.
O governo estadual, porém, parece que não aprende: começou avisando apenas quantos alunos e escolas vão ser afetados, e só depois disse quais.
Editorial desta quinta-feira (29), publicação jornal Agora São Paulo
