
Adriana de Oliveira
O Brasil já variou suas experiências em reprovações dos alunos por repetição de ano, dependência em disciplina, proibição de reprovação e outras soluções para a “não aprendizagem”. Se, por um lado, ao Estado interessava (interessa) a não reprovação para composição de estatísticas, por outro, em seu apoio, os responsáveis que se veem na contingência de pagar por duas vezes o mesmo ano ou se sentem “humilhados” confundindo a si mesmo com os filhos.
Um arsenal de máquinas caça-níquel se ergue em volta do drama familiar da aprovação ou não dos filhos. Aulas de reforço, recuperação, prêmios e castigos, pressão sobre professores e sobre a escola. O que fazer?
As crianças procuram seus colegas por seus níveis mentais; portanto, quem se sente humilhado são os pais, e não as crianças. Se a criança está no nível apropriado à sua escolaridade, com pouca frequência, a culpa é da escola sem motivação e adequação. Neste caso, ajudar a criança de forma que consiga responder aos desejos esdrúxulos da escola pode ser alternativa.
O mais comum, entretanto, é a criança estar fora de nível, sendo forçada pelos pais a responder aos seus desejos. É comum crianças mais jovens em graus acima de sua idade. Desta feita, constitui tortura para a criança que perde ano inteiro tentando alcançar algo que por natureza não está ao seu alcance. Interesses diversos (econômicos, de ego etc) fazem estas crianças
sofrerem períodos inteiros e seguirem a “trancos e barrancos” até o dia que a escola, que lhes sugou, admita sua impossibilidade de prosseguir. Quase sempre danos profundos já estão instalados e os pais começam a procurar outra escola (de preferência que prossiga a enganação que iguala todas as crianças).
Reprovar (ou, nas palavras corretas, ajustar a criança ao seu nível de desenvolvimento) é o que existe de mais produtivo. A criança se integra melhor, aumenta a autoestima, produz mais. Diminui o estresse, aprende mais e se torna mais feliz.
É educadora e escritora – jornal O Povo
adri.o.l@hotmail.com
