A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aprovou nesta terça-feira (30) a adoção de sistema de cotas para estudantes de escolas públicas, pretos, pardos e indígenas. A nova política passa a valer no vestibular de 2019.
 

A proposta partiu da reitoria e foi aprovada em reunião do Conselho Universitário, órgão máximo da instituição, após seis horas de debates. O formato do programa será discutido por um grupo de trabalho até novembro deste ano.
 

O plano deve prever a meta de 50% de estudantes oriundos da rede pública, por curso e turno, e buscar a meta de 37,5% de autodeclarados PPI (pretos, pardos e indígenas), segundo registrado do IBGE no Estado de São Paulo. Com relação à meta de PPI, o projeto da Unicamp é mais arrojado que a Lei de Cotas das universidades federais.
 

A lei de cotas, de 2012, prevê que o percentual de PPI do esteja vinculado ao total de vagas reservadas (calculado sobre 50%, no caso). Na Unicamp, essa meta estará vinculada ao total de alunos. O atendimento a esse critério deverá ser gradual.
 

“A sociedade deve estar representada em uma universidade pública”, disse o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel. “É algo que a universidade só tende a ganhar e crescer, com essa diversidade”.
 

Em São Paulo, mais de 80% dos estudantes do ensino médio estão em unidades públicas. A maioria na rede estadual.
 

Knobel ressalta que diversos estudos realizados pelo país, e também na Unicamp, mostram que ingressantes de cotas têm desempenho acadêmico equivalente e até superior ao dos alunos aprovados nos mecanismos tradicionais. “O mecanismo do acesso não será a única mudança, teremos um programa de permanência estudantil e acompanhamento e desenvolvimento dos alunos”. Critérios de renda também podem ser levados em conta.
 

O modelo de ingresso, segundo o reitor, pode aliar o atual mecanismo de bonificação já adotado pela universidade à adoção de ingresso também por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que usa a nota do Enem. A instituição tem desde 2004 o Paais (Programa de Ação Afirmativa para Inclusão Social), que concede bônus a alunos de escolas públicas e PPI.
 

Em 2017, alcançou uma marca histórica: 50,3% dos matriculados eram de escolas da rede pública. O percentual de PPI foi de 22%.
 

O próprio reitor pondera, entretanto, que nem todos os cursos registraram o mesmo nível de inclusão. O que deve ser combatido com o novo formato.
 

Entre as três universidade estaduais, a Unesp (Universidade Estadual Paulista) foi a primeira a definir metas fixas de reserva de vagas, em 2014. No vestibular deste ano, a instituição já atingiu mais de 50% dos estudantes de escolas públicas, sendo que, destes, 36,7% são de escolas pretos, pardos e indígenas.
 

Este resultado já superou a meta estipulada para 2018. A instituição esperava no mínimo 45% de alunos de escola pública neste ano.
 

ALTA NA INCLUSÃO DA USP

Já a USP (Universidade de São Paulo) também registrou alta na inclusão neste ano, mas não atingiu sua própria meta para o ano. A instituição também planeja mudanças para melhorar os indicadores. Dos 10.994 matriculados, 4.036 são estudantes oriundos de escola pública. O número significa 36,7% desse total – a meta era chegar a 39% neste ano. Em 2016, o indicador havia ficado em 34,6%. Com relação a pretos, pardos e indígenas, os resultados também melhoraram. Do total de matrículas, 19,3% são autodeclarados PPI. No ano anterior foram 17,1%.
 

Fonte:  Folha de São Paulo