Escolas que não serão fechadas nem terão ciclos de ensino encerrados pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) também foram ocupadas por estudantes e movimentos sociais. Até às 20h desta terça-feira (17) ao menos 34 unidades estaduais haviam sido ocupadas. Em 6 delas, o protesto não tem relação direta com a reestruturação da rede paulista.
É o caso da Escola Estadual Padre Saboia de Medeiros, na Chácara Santo Antonio, zona sul de São Paulo, ocupada pelos alunos desde segunda-feira (16). Os estudantes afirmam que o colégio, apesar de não constar da lista da reorganização, deixará gradualmente de receber alunos do ensino médio. No próximo ano, a unidade não receberá alunos para o 1º ano. A escola atende apenas a esta etapa do ensino, além de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Estudantes afirmaram em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo que, mesmo quando os pais tentam matricular o filho na série inicial do ensino médio, o aluno é transferido “automaticamente” para uma escola próxima, a Plínio Negrão, que fica a 3 quilômetros de distância. “É a única escola da região que atende ao ensino médio. Estamos aqui há 70 anos, é uma escola tradicional”, disse uma funcionária que estava no portão e pediu para não ser identificada. Ela teme ainda que haja uma “disputa de professores”, que serão transferidos para outros colégios e precisariam dividir as turmas. “Com certeza muitos ficarão sem trabalho.”
Na escola José Lins do Rego, no Jardim Ângela, zona sul da capital, os alunos decidiram ocupar o edifício, mesmo a unidade estando fora da reestruturação da rede. O colégio já atende apenas alunos do ensino médio e continuará com ensino de ciclo único. “Nós seremos afetados porque fecharam o ensino médio em outras duas escolas da região. Para onde esses alunos vão? Para cá, onde já temos 40 alunos por sala. Ou seja, vamos ter salas ainda mais lotadas, e o ensino ficará pior”, disse o aluno do 2º do ensino médio André Souza da Silva, de 18 anos. A escola está ocupada desde sábado (15).
Apesar de não constar da lista de 93 unidades que serão fechadas, a escola Martin Egídio Damy, na Brasilândia, zona norte de São Paulo, não terá novas turmas no ensino médio noturno no próximo ano. “Os alunos foram informados de que não terá mais o noturno. Só haverá opção do ensino médio de manhã. Vai prejudicar muita gente que trabalha e quer estudar”, disse Marina de Oliveira Cintra, de 20 anos.
Reintegração
O secretário da Educação, Herman Voorwald, disse que o Estado vai pedir a reintegração de posse de todas as escolas ocupadas por alunos contrários à reorganização da rede apresentada pela gestão Geraldo Alckmin. Ele afirmou que tem a obrigação de acionar a Justiça. Voorwald fez nesta terça-feira (17) uma coletiva de imprensa. “Nosso compromisso é com os alunos e pais. Muitos precisam de certificados de conclusão, e os documentos dos alunos e professores estão nas escolas.”
Apesar de informar que o governo não voltará atrás das decisões anunciadas, o secretário diz que manterá o diálogo. “O que farei é dialogar até o limite com os alunos. Havendo pauta, o secretário se compromete a analisar”, disse. “Política pública de Educação é atribuição do Estado”, disse ele, referindo-se à reorganização. Desde o anúncio do projeto, estudantes têm realizado manifestações e reclamam que não foram ouvidos.
O secretário criticou a participação nas ocupações de movimentos que não têm ligação com os estudantes. “Não aceito que movimentos que não têm nada a ver com a Educação estejam impedindo os alunos de completarem seus anos letivos”. Parte das ocupações foi organizada pelo Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST).
Reposição
Estudantes de escolas ocupadas terão de repor as aulas nas férias. Nesta quinta-feira (18), foi publicada a Resolução SE, no Diário Oficial do Estado, na página 28, seção I, garantindo 200 dias letivos. Caberá as unidades decidir sobre as reposições.
Saresp
Nas escolas que permanecerem ocupadas não haverá Saresp, segundo o secretário estadual da educação. “As escolas que não tiverem ocupação farão o Saresp de maneira normal. O Saresp será realizado nas escolas onde os estudantes estarão nas salas de aula em atividade. “A avaliação, marcada para os dias 23 e 24 deste mês, tem o objetivo de analisar o sistema de ensino estadual a partir do desempenho dos alunos em português, matemática, ciências da natureza e redação.
Secom/CPP
