
Um glaucoma congênito fez com que Andrea Bocelli nascesse parcialmente cego. Mas logo cedo, aos seis anos, o garoto foi atraído pela música. Começou pelo piano e depois flauta, saxofone, trompete, harpa, violão e bateria. Mas o sonho era ser jogador de futebol. Por isso treinava num campinho ao lado de sua casa, no interior da Itália. Até que numa tarde fatídica uma bolada na cabeça fez com que perdesse completamente a visão. A partir daí, tudo mudou. Tinha que esquecer a bola. Em compensação foi a música que o levou a se tornar o tenor mais famoso e querido do mundo, de sua geração. Sua mãe foi a primeira a reconhecer o poder de superação que a música exerce.
Bocelli tem uma legião de fãs no Brasil que enfrenta qualquer coisa para assisti-lo. Nem mesmo a tempestade no caminho de quem se dirigiu ao Allianz Parque, em São Paulo, pouco antes da apresentação no domingo (30) foi capaz de intimidá-la.
A plateia lotou as duas noites de apresentação, 29 e 30 de setembro, para celebrar os 60 anos de Bocelli e da Bossa Nova. O repertório foi composto por música erudita, sucessos populares além de músicas do seu mais recente CD, “Si”.
O espetáculo foi aberto pela suntuosidade do “O Guarani”, de Carlos Gomes.
A soprano Larissa Martinez, a orquestra de jovens de Heliópolis e a cantora Maria Rita, que se emocionou várias vezes, fizeram com que o público ovacionasse mais uma apresentação memorável do tenor em São Paulo e esquecesse os obstáculos de acesso ao Allianz Parque.
E, para voltar ao começo da história, fica a pergunta: o que teria acontecido se Bocelli não se dedicasse à música desde criança? Felizmente, assim foi. Por meio da música, do seu talento e de muita dedicação, Bocelli conquistou o mundo.
Há décadas o Centro do Professorado Paulista chama a atenção para a inclusão da música nas escolas públicas. Esse poderosíssimo agente transformador tem mudado a vida de muitos brasileirinhos. O CPP, por meio do Concurso de Corais Infantojuvenil, idealizado e coordenado pela professora Loretana Paolieri Pancera, primeira vice-presidente da entidade, tem incentivado educadores e alunos a se dedicarem à música.
“A música me dá o que o mundo me tira.” A declaração de uma aluna de escola pública, participante do Concurso de Corais, resume bem o poder que a música exerce sobre os jovens.
É preciso abrir espaço para a música nas escolas. Quantos “Bocellis” existem espalhados pelo País? Estamos perdendo tempo, Brasil.
