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3º vice-presidente do CPP e vereador destacou que o tema deve estar presente em discussões nas escolas e nas universidades: “Basta! Não podemos mais aceitar o racismo”

Fazendo referência ao Dia Mundial Para a Eliminação da Discriminação Racial, comemorado na semana passada (21 de março), o vereador e terceiro vice-presidente do Centro do Professorado Paulista, Azuaite Martins de França, cobrou ações mais contundentes dos governos em todos os níveis para o combate à exclusão e ao preconceito e lamentou a falta de políticas públicas efetivas para seu enfrentamento. Segundo ele, “o racismo estrutural é um tema que precisa ser enfrentado desde o âmbito do município, porque não é um assunto distante de nós, pelo contrário: está presente no cotidiano de exclusão, marginalização e violência contra a população negra no meio em que vivemos”.

“O racismo mostra sua face quando a sociedade normaliza no dia a dia situações de discriminação e nada faz para mudar a realidade de violência, exclusão e marginalização que atinge principalmente a população negra. Há um apartheid à brasileira contra o qual devemos nos insurgir”, declarou.

Ao ressaltar que o assunto deve estar na pauta do município – e, portanto, na alçada dos agentes políticos locais como representantes da coletividade – ele enfatizou que “a discriminação racial não é só um legado do passado escravista no Brasil”. “Ela é praticada sistematicamente hoje, no dia a dia e no ambiente virtual, com ações de grupos que disseminam o ódio racial nas redes sociais”.

O vereador citou que a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos no Brasil é três vezes maior que o percentual observado entre os brancos. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2019, o número de homicídios de pessoas brancas caiu 30% e de negros aumentou em 86% entre 2000 e 2019 e, segundo o IBGE, os negros representam 70% do grupo abaixo da linha da pobreza.

“A escravidão foi abolida há 134 anos, mas esse quadro de exclusão se manteve numa sociedade que sequer se assume como racista. Por isso, o dia 21 de março é uma oportunidade para refletirmos sobre a existência do racismo em nossa sociedade e como ele nos impede de nos consolidarmos como uma nação igualitária.”

Azuaite destacou que o tema da igualdade racial deve estar presente em discussões nas escolas, nas universidades e espaços públicos para que a consciência sobre o tema se traduza em atitude: “Basta! Não podemos mais aceitar o racismo, esse mal que precisa ser extirpado de nossa sociedade”.

O Dia Mundial Para a Eliminação da Discriminação Racial foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em referência ao massacre ocorrido em 21 de março de 1960, em Joanesburgo, na África do Sul, onde 20 mil pessoas protestavam contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação, e a polícia do regime de apartheid abriu fogo sobre a multidão desarmada resultando em 69 mortos e 186 feridos.