
Eu tenho refletido muito sobre essa questão do uso de celular nas escolas.
A lei diz que não pode usar o telefone em sala de aula, e eu concordo que o ambiente escolar precisa de foco, respeito e disciplina.
Mas, sinceramente, me preocupa quando vejo que, mais uma vez, a responsabilidade acaba sendo colocada quase que exclusivamente sobre a escola e, principalmente, sobre o professor.
Na minha visão, esse debate precisa ir além. O celular não deveria nem entrar na escola. Esse controle precisa começar dentro de casa, com a orientação e a responsabilidade da família. São os pais que devem assumir esse papel, inclusive respondendo civil e legalmente pelos atos dos filhos dentro do ambiente escolar.
O que temos visto, na prática, é uma inversão de papéis. O professor, que já tem a missão de ensinar, ainda precisa lidar com conflitos, desrespeito e, muitas vezes, situações graves envolvendo o uso indevido do celular. Isso sobrecarrega o profissional da educação e desvia o foco do que realmente importa: o aprendizado.
O diretor escolar, por sua vez, tem um papel fundamental e precisa exercer sua autoridade com responsabilidade. Quando há casos de desrespeito, ameaça ou qualquer tipo de violência, isso precisa ser registrado e tratado com a devida seriedade.
O diário de classe é um documento oficial, uma prova, e deve ser utilizado para que as medidas cabíveis sejam tomadas, inclusive com o acionamento das autoridades competentes.
Eu acredito que a escola deve ser um espaço de aprendizagem, respeito e formação. Mas, para isso, é essencial que a família esteja presente e assuma o seu papel. Educação é uma construção conjunta, e não pode, de forma alguma, ser uma responsabilidade exclusiva do professor.
E você, qual é a sua opinião: a responsabilidade pelo uso do celular deve ser da escola ou da família?
*Alessandro Soares é diretor-geral administrativo do Centro do Professorado Paulista
