Especialista conversou sobre o assunto no “Fala, CPP!”

O Centro do Professorado Paulista recebeu Claudia Costin, especialista em educação, para um bate-papo especial no “Fala,CPP!”.
Professora, acadêmica, administradora e economista, Claudia atuou em cargos de gestão governamental em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O diretor-geral da entidade, Alessandro Soares, e o diretor jurídico, Márcio Calheiros do Nascimento, se uniram a ela em uma conversa especial sobre o impacto das políticas públicas na educação.
A desigualdade educacional histórica do Brasil foi o primeiro assunto da conversa, e de acordo com a especialista, ajuda a entender a situação atual. Ela pontuou que o acesso à escola era restrito a uma elite, que passava, inclusive, por processo seletivo, o que explica o respeito que os professores recebiam.
“O Brasil tem um atraso de acesso muito grande. Foi só na primeira década do século 21 que nós universalizamos o acesso ao ensino fundamental”, afirmou Claudia Costin.
Segundo dados, em 1930 apenas 21% das crianças estavam na escola primária, número que dobrou 30 anos depois, em 1960.
No entanto, enquanto no fim da década de 60 o Brasil só tinha 40% das crianças na escola, a Coreia, que era uma economia menor, tinha conseguido universalizar o acesso.
Claudia explicou que a falta de investimento em Educação segue sendo um problema que impede avanços reais no país, e comparou o valor gasto por aqui com o orçamento de outros países.
A professora defende que “educação de qualidade custa caro”, e que esse recurso é fundamental para manter a atratividade para o professor, ofertando salários competitivos e boas condições de trabalho.
De acordo com Claudia, atualmente se exige mais do professor, pois ele precisa ensinar em contextos de vulnerabilidade social, o que demanda mais preparo. “Por isso [o docente] precisa de mais valorização “, declarou ela.
Questionada por Alessandro sobre os afastamentos dos profissionais da educação por problemas de saúde mental e também sobre a violência nas escolas, Claudia explicou que atribui esse contexto a três motivos: baixos salários, fragmentação de contratos e questão cultural.
Para a especialista, a baixa atratividade da profissão é um dos grandes problemas, pois leva os docentes a trabalharem em vários locais para garantir o pagamento no fim do mês.
Outra questão apontada por Claudia é a pulverização dos contratos de trabalho que deixam os profissionais em situações de insegurança e exaustão.
Além disso, há um “desengajamento” dos profissionais que, diante de tantas informações negativas sobre o cotidiano da profissão, acabam assumindo um papel de vitimismo, enquanto esquecem que “merecem ser admirados e valorizados”.
“O professor faz o melhor que pode nas condições que tem”, refletiu Claudia Costin.
Assista o bate-papo completo:
